sexta-feira, 11 de setembro de 2009

VÊ, VÊ CORINA, E FOGE SE PUDERES, de Bocage






Vendo o soberbo Amor, que eu resistia

Ao seu poder com ânimo arrogante,

Mostrou-me um doce, angélico semblante

Que a própria Vênus invejar devia.



Minha néscia altivez, minha ousadia

Em submissão troquei no mesmo instante;

E o deus tirano, achando-me triunfante,

Com voz insultadora me dizia:



“Tu, que escapar às minhas setas queres,

Vil mortal, satisfaze o teu desejo,

Vê, vê Corina, e foge, se puderes”.



“Amor (lhe respondi) rendido a vejo;

Adoro os olhos seus, com que me feres,

Venero as tuas leis, teus ferros beijo”.




(Sonetos de Bocage)



(Ilustração: Adrian Gottlieb - Sophia)






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