Em 1944 John von Neumann apareceu como coautor de um livro chamado A teoria dos jogos e o comportamento econômico, no qual ele inventava o termo teoria dos jogos. Essa teoria dos jogos era uma tentativa de Neumann usar a matemática para descrever a estrutura dos jogos e analisar como os humanos os jogam. Ele começou estudando o xadrez e o pôquer, depois tentou modelar jogos mais sofisticados como a economia. Depois da Segunda Guerra Mundial a corporação RAND percebeu o potencial das ideias de von Neumann e o contratou para trabalhar no desenvolvimento das estratégias da Guerra Fria. E a partir deste ponto a teoria matemática dos jogos passou a ser um instrumento básico para os generais testarem suas estratégias militares, tratando as batalhas como se fossem jogos complexos de xadrez. Uma ilustração simples das aplicações da teoria dos jogos é a história do truelo.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
A TEORIA DOS JOGOS E O TRUELO, de Simon Singh
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
MOŻLIWOŚCI / POSSIBILIDADES, de Wisławy Szymborskiej / Wisława Szymborska
Wolę kino.
Wolę koty.
Wolę dęby nad Wartą.
Wolę Dickensa od
Dostojewskiego.
Wolę siebie lubiącą ludzi
niż siebie kochającą
ludzkość.
Wolę mieć w pogotowiu igłę z
nitką.
Wolę kolor zielony.
Wolę nie twierdzić,
że rozum jest wszystkiemu
winien.
Wolę wyjątki.
Wolę wychodzić wcześniej.
Wolę rozmawiać z lekarzami o
czymś innym.
Wolę stare ilustracje w
prążki.
Wolę śmieszność pisania
wierszy
od śmieszności ich
niepisania.
Wolę w miłości rocznice
nieokrągłe,
do obchodzenia na co dzień.
Wolę moralistów,
którzy nie obiecują mi nic.
Wolę dobroć przebiegłą od
łatwowiernej za bardzo.
Wolę ziemię w cywilu.
Wolę kraje podbite niż
podbijające.
Wolę mieć zastrzeżenia.
Wolę piekło chaosu od piekła
porządku.
Wolę bajki Grimma od
pierwszych stron gazet.
Wolę liście bez kwiatów niż
kwiaty bez liści.
Wolę psy z ogonem nie
przyciętym.
Wolę oczy jasne, ponieważ
mam ciemne.
Wolę szuflady.
Wolę wiele rzeczy, których
tu nie wymieniłam,
od wielu również tu nie wymienionych.
Wolę zera luzem
niż ustawione w kolejce do
cyfry.
Wolę czas owadzi od
gwiezdnego.
Wolę odpukać.
Wolę nie pytać jak długo
jeszcze i kiedy.
Wolę brać pod uwagę nawet tę
możliwość,
że byt ma swoją rację.
(Ludzie na moście,
1986)
Tradução de Regina
Przybycien:
Prefiro o cinema.
Prefiro os gatos.
Prefiro os carvalhos sobre o
Warta.
Prefiro Dickens a
Dostoiévski.
Prefiro-me gostando das
pessoas
do que amando a humanidade.
Prefiro ter agulha e linha à
mão.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não achar
que a razão é culpada de
tudo.
Prefiro as exceções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro conversar sobre outra coisa com os médicos.
Prefiro as velhas
ilustrações listradas.
Prefiro o ridículo de
escrever poemas
ao ridículo de não
escrevê-los.
Prefiro, no amor, os
aniversários não marcados,
para celebrá-los todos os
dias.
Prefiro os moralistas
que nada me prometem.
Prefiro a bondade astuta à
confiante demais.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro os países
conquistados aos conquistadores.
Prefiro guardar certa
reserva.
Prefiro o inferno do caos ao
inferno da ordem.
Prefiro os contos de Grimm
às manchetes dos jornais.
Prefiro as folhas sem flores
às flores sem folhas.
Prefiro os cães sem a cauda
cortada.
Prefiro os olhos claros
porque os tenho escuros.
Prefiro as gavetas.
Prefiro muitas coisas que
não mencionei aqui
a muitas outras também não
mencionadas.
Prefiro os zeros soltos
do que postos em fila para
formar cifras.
Prefiro o tempo dos insetos
ao das estrelas.
Prefiro bater na madeira.
Prefiro não perguntar quanto
tempo ainda e quando.
Prefiro ponderar a própria
possibilidade
do ser ter sua razão.
(Iustração: Andrea Kowch, 1986)
sábado, 7 de fevereiro de 2026
ESTÁTUA DE RAMSÉS II: ESTÁTUA DE GRANITO ENCONTRADA EM TEBAS (PERTO DE LUXOR), EGITO, POR VOLTA DE 1250 A.C., de Neil MacGregor
Para mim, que sou escultor, a aceitação do material como meio de comunicar a relação entre o tempo biológico da vida humana e os éons do tempo geológico é condição essencial da virtude de espera da escultura. A escultura persiste, perdura, e a vida perece. E toda escultura egípcia tem, em certo sentido, esse diálogo com a morte, com o que está do outro lado.Há algo de muito humilde, uma celebração do que um povo pode fazer unido, porque essa é a outra coisa extraordinária da arquitetura e da escultura egípcias, o envolvimento de um número imenso de pessoas e o fato de ser um ato coletivo de celebração da própria capacidade de realizar.
Ele compreendia muito bem que ser visível era fundamental para o êxito da monarquia, por isso ergueu todas as estátuas colossais que pôde e com muita rapidez. Construiu templos para os deuses tradicionais do Egito, e esse tipo de atividade tem sido interpretado como bombástico — exibicionista etc. —, mas é preciso situar tudo isso no contexto dos requisitos da monarquia. As pessoas necessitavam de um líder forte, e para elas líder forte era um rei que fazia campanhas no exterior em benefício do Egito e era bem visível dentro do Egito. Podemos até examinar o que pode ser tido como “manipulação favorável” dos registros da batalha de Kadesh, em seu quinto ano, que terminou em empate técnico. Ele voltou para o Egito e ordenou que o registro dessa batalha fosse inscrito em sete templos, apresentando-a como um êxito extraordinário e afirmando que ele sozinho tinha derrotado os hititas. Portanto, foi tudo manipulação desonesta com finalidade política, e ele entendeu perfeitamente como usá-la.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
DIESER SOMMER / ESTE VERÃO, de Ulla Hahn
domingo, 1 de fevereiro de 2026
O PAI DE HORACIO, de Enrique Vila-Matas
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
UN ANARQUISTA / UM ANARQUISTA, de William Ospina
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
O BONDE DE BERLIM OU, KURT TUCHOLSKY E O FASCISMO, de Bruna Della Torre
O fiscalizadoEis o bonde berlinense… mas não deve ser tão diferente em outros trens… Nele as pessoas se sentam e sonham e fitam e conversam e às vezes leem ––. De repente, um homem uniformizado adentra o vagão e diz: “passagens, por favor” – é um funcionário cuja função principal é controlar os passageiros.Obedientemente, tudo nas bolsas é revirado. Todos apresentam o pedacinho de papel ao funcionário. Apenas um perdeu a sua passagem.É realmente um povo subserviente, o povo alemão. Porque todos agora encaram o homem como se ele tivesse cometido um crime. Eles acreditam que o funcionário os controla. Lá está o funcionário educado, que não faz nada para reforçar essa superstição. Mas eles pensam assim e estão tomados pelo medo e desprezam todos o homem que perdeu a passagem. Num piscar de olhos, todo o vagão está contra ele. Alguns poderiam observar com um pouco de empatia a maneira como ele se debate e estremecem ao se pensar nessa situação terrível…Eles se encolhem. Ficam com os rostos vermelhos. O perdedor, roxo. Ele se desculpa. Ele não diz: “Eu o perdi, mas vou pagar minha parte…” Ele se sente flagrado. Não se pode imaginar que se tem diante de si um adulto, que talvez tenha uma esposa, filhos que deve criar, funcionários para quem ele rosna… Aqui ele é muito pequeno. Porque aqui apareceu o mais sagrado para um alemão: o uniforme. E aqui acaba a diversão.Uma pequeneza, uma insignificância, certamente. Mas, mais uma vez, uma simples observação da vida cotidiana, que mostra como aqui o indivíduo nem sequer se atreve a dizer: “Olá! Cá estou eu!” – Ao contrário, ele fica com o rosto vermelho, se encolhe e procura a passagem.E isso é uma miséria da vida alemã.Vorwärts, 18.09.1913 (tradução da autora)

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