quarta-feira, 1 de julho de 2026
CONVICÇÃO E FANATISMO, de Delia Steinberg Guzman
domingo, 28 de junho de 2026
PALIMPSESTO, de Paulo Raviere
de cicatrizes: escara devora
escara; o sangue se mistura
com os sangues; os tecidos
sofrem eclipses; a pele tece
lençóis sobre as feridas. Nódoa
na memória: o sonho se afoga
no banho de sol; o olho implora
para ver as veredas verdes de uma
verdade; a ferida se degenera,
se regenera o tecido; somente
o sonho me ensina a renascer.
Palimpsesto é resistência: jamais
houve pensamento que não fosse
canibal; cada novo nascimento
é uma punhalada na História.
(As Maçãs do Fel; inédito)
quinta-feira, 25 de junho de 2026
OS OCIOSOS, de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares
segunda-feira, 22 de junho de 2026
DER PANTHER [IM JARDIN DES PLANTES, PARIS] / A PANTERA (NO JARDIN DES PLANTES, PARIS), de Rainer Maria Rilke
Sein Blick ist vom Vorübergehn der Stäbe
so müd
geworden,dass er nichts mehr hält.
Ihm ist, als ob
es tausend Stäbe gäbe
und hinter
tausend Stäben keine Welt.
Der weiche Gang
geschmeidig starker Schritte,
der sich im
allerkleinsten Kreise dreht,
ist wie ein Tanz
von Kraft um eine Mitte,
in der betäubt
ein grosser Wille steht.
Nur manchmal
schiebt der Vorhang der Pupille
sich lautlos auf
-. Dann geht ein Bild hinein,
geht durch der
Glieder angespannte Stille -
und hört im
Herzen auf zu sein.
Tradução de Augusto de Campos:
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
Tradução de Geir Campos:
Varando a grade, a nada mais se agarra
o olhar tomado de um torpor profundo:
para ela é como se houvesse mil barras
e, atrás dessas mil barras, nenhum mundo.
Seu firme andar de passos gráceis, dentro
dum círculo talvez muito apertado,
é uma dança de força em cujo centro
ergue-se um grande anseio atordoado.
De raro em raro, só, o véu das pupilas
abre-se sem ruído — e deixa entrar
a imagem, que sobe, pelas tranquilas
patas, ao coração, para aí ficar.
Tradução de José Paulo Paes:
Seu olhar, de tanto percorrer as grades,
está fatigado, já nada retém.
É como se existisse uma infinidade
de grades e mundo nenhum mais além.
O seu passo elástico e macio, dentro
do círculo menor, a cada volta urde
como que uma dança de força: no centro
delas, uma vontade maior se aturde.
Certas vezes, a cortina das pupilas
ergue-se em silêncio. – Uma imagem então
penetra, a calma dos membros tensos trilha –
e se apaga quando chega ao coração.
(Neue gedichte I; Novos poemas
I; 1907)
(Ilustração: foto da pantera negra - no Zoo
Negara, Malaysia)
sexta-feira, 19 de junho de 2026
INDO EMBORA, de Antônio Prata
terça-feira, 16 de junho de 2026
ISAÍAS / ISAÍAS, de Olalla Castro
Destrúyelo todo para mí, Señor.
Que los impíos caigan sobre la tierra
cono el fruto de un árbol al varear sus ramas.
Que la muerte se esparza cual semilla.
Castiga, Señor, castiga,
a los cínicos, los ciegos, los violentos.
Golpea a quienes nos han golpeado.
Júzgalos. Condénalos.
Aplasta con tu mano sus manos miserables.
Que todos los pueblos menos el nuestro mueran.
Que las ciudades caigan menos Jerusalén.
Que nosotros, los únicos justos,
reeinemos con nuestra única verdad.
Tradução de Isaias Edson Sidney:
Destrói tudo por mim, Senhor.
Que caiam os ímpios sobre a terra
como o fruto de uma árvore quando se fustigam seus ramos.
Que a morte se espalhe como semente.
Castiga, Senhor, castiga
os cínicos, os cegos, os violentos.
Fere quem nos feriu.
Julga-os. Condena-os.
Esmaga com tua mão suas mãos miseráveis.
Que morram todos os povos, menos o nosso.
Que se destruam as cidades, menos Jerusalém.
Que nós, os únicos justos,
reinemos com a nossa única verdade
(Todas las veces que el mundo se acabó)
(Ilustração: Viktor Vasnetsov - quatro cavaleiros do Apocalipse – 1887)
sábado, 13 de junho de 2026
O QUE QUEREMOS SABER?, Alberto Manguel
quarta-feira, 10 de junho de 2026
NO TITLE / SEM TÍTULO, de Upile Chisala
domingo, 7 de junho de 2026
DESCOBRI QUE PINTAR É COMO ESCREVER UM POEMA, de Antônio Aurélio Cassiano
quinta-feira, 4 de junho de 2026
TARDE NO RECIFE, de Joaquim Cardozo
segunda-feira, 1 de junho de 2026
O SEGREDO IRREDUTÍVEL DA POESIA, de Ivan Junqueira
sexta-feira, 29 de maio de 2026
CARTA A MARIA CLEA, de Maria Ângela Alvim
terça-feira, 26 de maio de 2026
O TAMBOR CHINÊS, de Ihara Saikaku






%20-%20Un%20Cabinet%20de%20curiosit%C3%A9s.jpg)





