sábado, 28 de fevereiro de 2026
ALMA DESNUDA / ALMA NUA, de Alfonsina Storni
Soy un alma desnuda en estos versos,
Alma desnuda que angustiada y sola
Va dejando sus pétalos dispersos.
Alma que puede ser una amapola,
Que puede ser un lirio, una violeta,
Un peñasco, una selva y una ola.
Alma que como el viento vaga inquieta
Y ruge cuando está sobre los mares,
Y duerme dulcemente en una grieta.
Alma que adora sobre sus altares,
Dioses que no se bajan a cegarla;
Alma que no conoce valladares.
Alma que fuera fácil dominarla
Con sólo un corazón que se partiera
Para en su sangre cálida regarla.
Alma que cuando está en la primavera
Dice al invierno que demora: vuelve,
Caiga tu nieve sobre la pradera.
Alma que cuando nieva se disuelve
En tristezas, clamando por las rosas
con que la primavera nos envuelve.
Alma que a ratos suelta mariposas
A campo abierto, sin fijar distancia,
Y les dice: libad sobre las cosas.
Alma que ha de morir de una fragancia
De un suspiro, de un verso en que se ruega,
Sin perder, a poderlo, su elegancia.
Alma que nada sabe y todo niega
Y negando lo bueno el bien propicia
Porque es negando como más se entrega.
Alma que suele haber como delicia
Palpar las almas, despreciar la huella,
Y sentir en la mano una caricia.
Alma que siempre disconforme de ella,
Como los vientos vaga, corre y gira;
Alma que sangra y sin cesar delira
Por ser el buque en marcha de la estrella.
Tradução de Sandra Santos:
Eu sou uma alma nua nestes versos,
Alma nua que angustiada e sozinha
Deixa suas pétalas espalhadas.
Alma que pode ser uma papoula
Ou que pode ser um lírio, uma violeta
Uma rocha, uma selva e uma onda.
Alma que como o vento vagueia inquieta
E ruge quando está nos mares
E durma docemente em uma fenda.
Alma que adora em seus altares,
Deuses que não descem para cegá-la;
Alma que não conhece limites.
Alma que era fácil de dominar
Com apenas um coração que quebrou
Pois em seu sangue morno, regue-o.
Alma que quando está na primavera
Ela diz ao inverno que está demorando: volte,
Deixe cair sua neve no prado.
Alma que quando neva se dissolve
Em tristeza, clamando por rosas
Com essa primavera nos envolve.
Alma que às vezes libera borboletas
No campo aberto, sem definir a distância,
E diz-lhe: libai sobre as coisas.
Alma que tem que morrer de uma fragrância,
De um suspiro, de um verso em que é solicitado,
Sem perder, se possível, sua elegância.
Alma que não sabe nada e tudo nega
E negando o bem, o bem propicia
Porque é negar quanto mais é dado,
Alma que geralmente existe como prazer
Sinta as almas, despreze a pegada,
E sinta uma carícia na mão.
Alma que está sempre insatisfeita com ela
Enquanto os ventos vagam, corra e vire;
Alma que sangra e incessantemente delirante
Por ser o navio em marcha da estrela.
(Irremediablemente, 1919)
(Ilustração: Giuseppe de Nittis-desnudo con medias rojas)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário