sexta-feira, 19 de junho de 2026

INDO EMBORA, de Antônio Prata

 


Como em tantas outras madrugadas, acordo com um chorinho na babá eletrônica. É a Olivia, minha filha mais velha, de um ano e oito meses. Na maioria das vezes, ela vira pro lado e volta a dormir, sozinha. Em algumas noites, contudo - e é o caso desta aqui -, ela senta no berço e começa a gritar “Papai! Papai! Papai!” ou “Mamãe! Mamãe! Mamãe!” até que um de nós apareça para ouvir suas reivindicações.

São dois filhos, duas babás eletrônicas, cujos sinais se embaralham, de modo que não ouço bem se é “Papai!” - e serei eu a sair tropeçando pela noite fria - ou “Mamãe!” - e caberá à Julia explicar que não é hora de mamar, nem de ir pra escola, nem de brincar com o Senhor Batata, nem de ouvir Galinha Pintadinha, mas hora de dormir.

“É papai ou mamãe?”, balbucio, de olhos fechados, ao que minha mulher, sem nenhuma compaixão, sem nem sequer segurar a minha mão ou fazer um cafuné preparatório, dispara: “É ‘Arthur'”. Uma espada samurai atravessa o meu peito.

É claro que eu sabia que esse dia iria chegar: o dia em que aquele bebezinho lindo que embalei em meus braços, na maternidade, aquele serzinho indefeso que eu trouxe pra casa, a 30 km/h, com pisca alerta ligado, pela Raposo Tavares, aquele bumbunzinho rechonchudo que tantas vezes limpei, aqueles olhões deslumbrantes diante dos quais expliquei “esse é o leão”, “essa é a lua”, “esse é o manjericão”, “essa é a chuva”, iriam me trocar por outro homem. Achava, porém, que esse dia só viria lá por 2030-2027, na previsão mais pessimista.

Pensando bem, nem havia pessimismo na previsão. Imaginava, não sei se do alto do meu narcisismo ou do fundo da minha ingenuidade, que iria encarar tal dia com satisfação. Afinal, eu haveria criado minha filha para o mundo. Que ela saísse por aí se apaixonando e namorando seria um sinal da sua saúde e do nosso acerto.

Um pai enciumado? Coisa mais anos 1950 - e, no entanto, meus amigos, quando descubro que não é a mim que ela implora para salvá-la do escuro e da solidão, mas ao Arthur, colega da escola – um rapaz mais velho, diga-se de passagem, já beirando os três anos - um nó de marinheiro se forma na minha garganta.

Estirado na cama, trêmulo, me dou conta de que, nas últimas semanas, ela já vinha dando sinais daquela paixão, e, pior, eu os vinha recebendo com patente irritação. Eu pegava o “Marcelo, Marmelo, Martelo”, a Olivia punha o dedo na capa e dizia: “Arthur!”. “Não, Olivia, não é o Arthur, é o Marcelo!”. Aparecia o irmão da Peppa, na TV, ela corria até a tela, sorrindo: “Arthur!”. “Não, Olivia, não é o Arthur, é o irmão da Peppa!”. Huguinho, Zezinho, Luizinho? “Arthur! Arthur! Arthur!”. “Não, Olivia, eles são patos, não são o Arthur!”.

“Se você não vai, eu vou!”, resmunga a Julia, saindo da cama, surpreendentemente insensível ao meu cataclismo emocional. Só, vendo a Olivia na telinha da babá eletrônica, compreendo que não é ciúmes o que eu sinto, é solidão, uma solidão inédita e brutal: aquela menininha sentada no berço já começou a sair de casa, está indo embora, minuto a minuto, desde o dia em que a embalei no colo, na maternidade; logo, logo, ela parte, de braços dados com algum Arthur, depois eu fico velho, aí eu morro, então acabou-se o que era doce, ou agridoce, tão rápido, tão rápido, que coisa mais doida é isso tudo.



(Ilustração : Norman Rockwell - Girl at Mirror – 1954)

terça-feira, 16 de junho de 2026

ISAÍAS / ISAÍAS, de Olalla Castro


Destrúyelo todo para mí, Señor.

Que los impíos caigan sobre la tierra

cono el fruto de un árbol al varear sus ramas.

Que la muerte se esparza cual semilla.

Castiga, Señor, castiga,

a los cínicos, los ciegos, los violentos.

Golpea a quienes nos han golpeado.

Júzgalos. Condénalos.

Aplasta con tu mano sus manos miserables.

Que todos los pueblos menos el nuestro mueran.

Que las ciudades caigan menos Jerusalén.

Que nosotros, los únicos justos,

reeinemos con nuestra única verdad.



Tradução de Isaias Edson Sidney:



Destrói tudo por mim, Senhor.

Que caiam os ímpios sobre a terra

como o fruto de uma árvore quando se fustigam seus ramos.

Que a morte se espalhe como semente.

Castiga, Senhor, castiga

os cínicos, os cegos, os violentos.

Fere quem nos feriu.

Julga-os. Condena-os.

Esmaga com tua mão suas mãos miseráveis.

Que morram todos os povos, menos o nosso.

Que se destruam as cidades, menos Jerusalém.

Que nós, os únicos justos,

reinemos com a nossa única verdade



(Todas las veces que el mundo se acabó)



(Ilustração: Viktor Vasnetsov - quatro cavaleiros do Apocalipse – 1887)

sábado, 13 de junho de 2026

O QUE QUEREMOS SABER?, Alberto Manguel



A maior parte de minha infância em Tel Aviv transcorreu em silêncio: eu quase nunca fazia perguntas. Não que eu não fosse curioso. É claro que eu queria descobrir o que se guardava trancado na caixa pirogravada ao lado da cama de minha preceptora, ou quem morava atrás das cortinas dos trailers estacionados na praia de Herzliya, onde eu era severamente advertido a nunca passear. Minha preceptora respondia cuidadosamente a quaisquer perguntas, após o que me parecia uma longa e desnecessária consideração, e suas respostas eram sempre breves, factuais, não permitindo réplica ou discussão. Quando eu quis saber do que era feita a areia, sua resposta foi “de conchas e de pedras”. Quando eu fui buscar informação sobre o horrível Erlkönig, do poema de Goethe, que eu tinha de aprender de cor, a explicação foi: “É só um pesadelo”. (Como a palavra alemã para pesadelo é Alpentraum, eu imaginava que pesadelos só poderiam acontecer nas montanhas.) Quando eu me perguntei por que era tão escuro à noite e tão claro durante o dia, ela desenhou uma série de pontos formando um círculo num pedaço de papel, que tencionava representar o sistema solar, e depois me fez decorar os nomes dos planetas. Nunca se recusou a responder e nunca me estimulou a questionar.

Só muito mais tarde descobri que fazer perguntas poderia ser outra coisa, semelhante à emoção de uma busca, promessa de algo que tomava forma enquanto acontecia, uma progressão de explorações que cresciam numa troca recíproca entre duas pessoas e que não requeria uma conclusão. Não há como exagerar a importância de ter liberdade para fazer tais inquirições. Para uma criança, elas são essenciais para a mente assim como o movimento é essencial para o corpo. No século XVII, Jean-Jacques Rousseau afirmou que uma escola deveria ser um espaço onde se dava livre alcance à imaginação e à reflexão, sem qualquer propósito óbvio ou prático ou qualquer objetivo utilitário. “O homem civil nasce, vive e morre na escravidão”, ele escreveu. “Ao nascer, ele é costurado em panos que o enfaixam; ao morrer, é pregado dentro de um caixão. Enquanto mantém forma humana, é acorrentado por nossas instituições.” Não é treinando nossas crianças para ingressar em qualquer atividade requerida por nossa sociedade, insiste Rousseau, que elas serão e cientes em suas tarefas. Elas devem ser capazes de usar a imaginação sem constrangimentos antes de poderem criar qualquer coisa de valor.

Um dia, um novo professor de história começou a aula nos perguntando o que queríamos saber. Estaria se referindo ao que nós queríamos saber? Sim. Sobre o quê? Sobre qualquer coisa, qualquer noção que nos ocorresse, qualquer coisa que quiséssemos perguntar. Após um silêncio de espanto, alguém levantou a mão e fez uma pergunta. Não me lembro qual foi (uma distância de mais de meio século me separa daquele valente inquiridor), mas lembro que as primeiras palavras do professor eram menos uma resposta do que uma dica para outra pergunta. Talvez tenhamos começado querendo saber o que faz um motor funcionar; acabamos perguntando como Aníbal tinha conseguido cruzar os Alpes, o que lhe dera a ideia de usar vinagre para quebrar as rochas congeladas, o que deve ter sentido um elefante ao cair mortalmente congelado na neve. Naquela noite cada um de nós sonhou seu próprio e secreto Alpentraum.



(Uma história natural da curiosidade; tradução de Paulo Geiger)



(Ilustração: Frans Francken le Jeune (1619) - Un Cabinet de curiosités)


quarta-feira, 10 de junho de 2026

NO TITLE / SEM TÍTULO, de Upile Chisala

  




sadly,

when the ocean is your border

you must make do.

home is far

and your hunger for it

might make your bones ache.

so you study supermarkets

till you know where

to can find

goat meat

and

cassava

and

corn meal

and

peanut flour

and

okra

and

dried fish

and

pumpkin leaves,

food that jogs your memory,

after all

you must make do.

I am sorry,

home is far and

you’re hungry for it

and

the stubborn ocean won’t disappear.



Tradução de Melissa Quintela Martinez:



infelizmente,

quando o oceano é sua fronteira

você não tem muita escolha.

seu lar está longe

e você está faminta por ele

é de doer na alma

então você pesquisa por supermercados

até saber onde

pode encontrar

carne de cabra

e

mandioca

e

farinha de milho

e

farinha de amendoim

e

quiabo

e

peixe seco

e

folhas de abóbora,

alimentos que trazem lembranças,

afinal de contas

você não tem outra escolha.

Eu sinto muito,

seu lar está longe

e você está faminta por ele

e

o teimoso oceano não vai desaparecer.



Tradução de Izabel Aleixo:



Infelizmente,

Quando o oceano é o seu limite,

Você tem que se virar.

Seu lar está distante

E a sua fome dele

Pode fazer os seus ossos doerem.

Então você estuda os supermercados

Até saber onde achar

Carne de cordeiro e

Aipim e

Fubá e

Farinha de amendoim e

Quiabo e

Peixe seco e

Folhas de abóbora,

Comida que mexe com a sua memória,

Afinal,

Você tem que se virar.

Sinto muito,

Seu lar está distante

E

Você tem fome dele

E

O oceano obstinado não irá desaparecer.



(Soft Magic / Eu destilo melanina e mel)


(Ilustração: Norman Rokwell - immigrants stepping onto Ellis Island)

domingo, 7 de junho de 2026

DESCOBRI QUE PINTAR É COMO ESCREVER UM POEMA, de Antônio Aurélio Cassiano



Não quero pintar o óbvio: lua sobre o mar e seu rastro de luz. O sol poente e um céu laranja com eventuais pássaros, em preto, a flutuar sobre a paisagem.

Ou árvores esguias e jogos de luz e sombras, ou cenas nordestinas de estradas de terras vermelhas, montanhas e caatinga seca e cinzenta.

Eu queria algo que contivesse tudo isso, mas sem pauta ou compromisso com cartas-programas de movimentos, muitos dos quais já fiz até parte, e ainda hoje defendo. Gostaria de manipular tintas, através de pincéis, para fazer alquimia com as possibilidades que as cores oferecem.

Sem compromisso com o certo ou o errado — afinal, não domino a ciência dessa arte — mas acho que ela é tão ampla, bela e generosa, que permite a senhores (no sentido da idade mesmo) se dar ao desfrute de exercê-la sem pudor.

Claro que não espero que vejam o resultado das minhas aventuras como arte, apesar de me permitir me alegrar — não com opinião meramente estética, mas até mesmo consciente das minhas limitações de manejar o pincel, contentando tintas sobre a tela em branco e produzindo imagens que ainda não sei fazer.

Mas a possibilidade única de apenas misturar cores e dar formas, através do manejo do pincel sobre a superfície em estado de passividade ao nosso desejo de criar luz e movimentos sobre a tela branca, é incrível.

Descobri que é como escrever um poema.

Você diz o que quer e deixa o outro ler o que quiser.

E daí, os dois — você e o leitor/observador — constroem a sua própria história sobre o que você foi capaz de fazer.

Não pretendo aprender a pintar como os mestres que expõem e usam a pintura como comunicação de beleza estética. Só a quero fazer como outra forma de escrever poemas.



(Ilustração: Antônio Aurélio Cassiano - vert comum)


quinta-feira, 4 de junho de 2026

TARDE NO RECIFE, de Joaquim Cardozo



Da ponta Maurício o céu e a cidade.

Fachada verde do Café Máxime.

Cais do Abacaxi. Gameleiras.

Da torre do Telégrafo Ótico

A voz colorida das bandeiras anuncia

Que vapores entraram no horizonte.



Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.

A tagarelice dos bondes e dos automóveis.

Um carreto gritando — alerta!

Algazarra, Seis horas. Os sinos.



Recife romântico dos crepúsculos das pontes.

Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem dos fidalgos holandeses.

Que assistem agora ao mar, inerte das ruas tumultuosas,

Que assistirão mais tarde à passagem de aviões para as costas do Pacífico.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes.

E da beleza católica do rio.




(Ilustração: Militão dos Santos - Recife antigo - marco zero)


segunda-feira, 1 de junho de 2026

O SEGREDO IRREDUTÍVEL DA POESIA, de Ivan Junqueira

  


Na poesia de Manuel Bandeira, como na de qualquer poeta cuja obra comporte momentos de transição entre um e outro estágio instrumental, o recurso da dissolução rítmica encontra-se intimamente relacionado à técnica do verso livre, ou seja, à ''libertinagem'' (Advirta-se que esse conceito de dissolução rítmica não corresponde, como o pretende Adolfo Casais Monteiro em seu longo estudo sobre Manuel Bandeira, à supressão do ritmo, o que, em outras palavras, equivaleria, conforme didaticamente observa Emanuel de Moraes, à aceitação de ''sua tese da poesia sem ritmo nenhum, mais do que dissoluta, portanto''. O que se deve entender aqui por ''dissolução rítmica'' refere-se apenas à modulação do ritmo mediante uma ruptura dos esquemas métricos tradicionais). Ao analisar esses processos de fratura em O ritmo dissoluto, o próprio Bandeira o define como ''um livro de transição entre dois momentos'' de sua poesia, acrescentando ainda haver sido através dele que alcançou a ''completa liberdade de movimentos, liberdade de que cheguei a abusar no livro seguinte, a que por isso mesmo chamei libertinagem, torna-se assim muito claro em que sentido se deve interpretar essa ''libertinagem'', ou seja, enquanto lúcida e lírica licenciosidade poética. Em suma: ''libertinagem de temas, de matéria. Total liberdade. A liberdade que é a primeira condição para a libertinagem''.

E assim também o entenderam, já na época, ensaístas tão argutos quanto Sérgio Buarque de Holanda. Onestaldo de Pennafort e Pedro Dantas, que assinam, ao lado de Abgar Renault (autor de um magistral estudo sobre os milagres operados por Bandeira em suas traduções de poetas) e de Rodrigo Melo Franco de Andrade, os textos de avaliação crítica mais percucientes até então escritos sobre a poesia de Bandeira. Ainda com relação a essa ''libertinagem'', a esse lirismo que se quis apenas enquanto ''libertação,'' surpreende a funda incompreensão com que a analisou Tristão de Ataíde, segundo quem ela seria como que um ''sonho mau'' ou um ''manto efêmero de algodão'' que o poeta teria atirado aos ombros ''para chocar a galeria''. O propósito de ''chocar a galeria'' era exclusivo do Modernismo, e não de Bandeira, cuja poesia, além de prescindir da nova ordem estética, perdura para aquém e além dos limites cronológicos do movimento. E mesmo que se pudesse arguir o fascínio de uma libertinagem espiritual por parte do autor, admita-se que esta foi sempre de natureza antes estética do que mundana e social.

Mas o que teria de fato levado Bandeira a adotar o verso livre? E como pôde ele, cuja formação poética transcorre em estrita observância aos cânones da tradição clássica, realizá-lo com tanta mestria, executando assim o salto que o impeliu da evanescente melodia simbolista à áspera harmonia do Modernismo? No estupendo ensaio que escreveu sobre a poética do autor, Onestado de Pennafort pinça o nervo da questão: ''Como todo mestre, ele sentiu um dia a necessidade de se evadir da ordem estabelecida para uma ordem especial de desmanchar tudo para começar de novo. Toda evasão supõe o cansaço daquilo a que se deseja fugir. Sua obra resumia, condensado, estratificado, todo o acervo dos princípios estéticos que permitiram e inspiraram em todas as línguas e em tantos séculos de literatura a criação de tantas obras-primas; numa palavra, sua obra era um racourci de toda a arte poética que desde os latinos regeu a pena dos poetas.'' Assim, Bandeira só pôde desencadear sua revolução poética - que é, também, a rebelião humanística de um homem de cultura - a partir da tradição, ou seja, só pôde descobrir o novo através do antigo.

Na verdade, ao alcançar essa encruzilhada, Bandeira não mais dispunha de quaisquer opções. Apesar de haver sido uma ''conquista difícil'', como ele próprio confessa no Itinerário de Pasárgada, o verso livre se lhe impunha então não tanto como alternativa, e sim como fatal desiderato. Bandeira já esgotara todas as possibilidades rítmicas da polimetria e, saturado da usura e da algidez da linguagem convencional, começara a tangenciar, como observa Sérgio Buarque de Holanda, o ideal da ''forma significante'' ou do ''ritmo semântico''. E acrescenta o ensaísta: ''À medida que assim se apuram, no entanto, as possibilidades técnicas de Bandeira, uma recusa em atender aos padrões bem aceitos evolui para uma impaciência quase agressiva ante certos processos gastos e fáceis.'' Seus poemas vão gradualmente perdendo aquele ''sentimento da medida'' e, em alguns casos, como seria o do Noturno da Rua da Lapa, já florescem naquela terra de ninguém que se estende como um desafio entre a poetry e a fiction. Restava-lhe, porém, o segredo irredutível da poesia, ou seja, a unidade rítmica do verso, único elemento capaz de tornar poética até mesmo a prosa mais banal, Bandeira se antecipara assim ao Modernismo. E seu verso era agora ''belo, áspero, intratável'', como aquele cacto que ''lembrava os gestos desesperados da estatuária''.



(Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2/2/2005)



(Ilustração: Rafal Olbinski - to have or to have not – 2021)