quinta-feira, 4 de junho de 2026

TARDE NO RECIFE, de Joaquim Cardozo



Da ponta Maurício o céu e a cidade.

Fachada verde do Café Máxime.

Cais do Abacaxi. Gameleiras.

Da torre do Telégrafo Ótico

A voz colorida das bandeiras anuncia

Que vapores entraram no horizonte.



Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.

A tagarelice dos bondes e dos automóveis.

Um carreto gritando — alerta!

Algazarra, Seis horas. Os sinos.



Recife romântico dos crepúsculos das pontes.

Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem dos fidalgos holandeses.

Que assistem agora ao mar, inerte das ruas tumultuosas,

Que assistirão mais tarde à passagem de aviões para as costas do Pacífico.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes.

E da beleza católica do rio.




(Ilustração: Militão dos Santos - Recife antigo - marco zero)


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