domingo, 9 de janeiro de 2011

NEL MEZZO DEL CAMIN..., de Olavo Bilac










Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volta a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


(Ilustração: Riccardo Tommasi Ferroni)



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