segunda-feira, 4 de julho de 2011

MAL DE AMOR, de Anna Amélia








Toda pena de amor, por mais que doa,

no próprio amor encontra recompensa.

As lágrimas que causa a indiferença,

seca-as depressa uma palavra boa.



A mão que fere, o ferro que agrilhoa,

obstáculos não são que amor não vença.

Amor transforma em luz a treva densa.

Por um sorriso amor tudo perdoa.



Ai de quem muito amar não sendo amado,

e depois de sofrer tanta amargura,

pela mão que o feriu não for curado.



Noutra parte há de em vão buscar ventura.

Fica-lhe o coração despedaçado,

que o mal de amor só nesse amor tem cura.



(Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou)



(Ilustração: Ada Breedveld)




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