terça-feira, 20 de outubro de 2026

NOTES FOR A SPEECH / NOTAS PARA UM DISCURSO, de Amiri Baraka (LeRoy Jones)



African blues

does not know me. Their steps, in sands

of their own

land. A country

in black & white, newspapers

blown down pavements

of the world. Does

not feel

what I am.



Strength



in the dream, an oblique

suckling of nerve, the wind

throws up sand, eyes

are something locked in

hate, of hate, of hate, to

walk abroad, they conduct

their deaths apart

from my own. Those

heads, I call

my “people.”



(And who are they. People. To concern



myself, ugly man. Who

you, to concern

the white flat stomachs

of maidens, inside houses

dying. Black. Peeled moon

light on my fingers

move under

her clothes. Where

is her husband. Black

words throw up sand

to eyes, fingers of

their private dead. Whose

soul, eyes, in sand. My color

is not theirs. Lighter, white man

talk. They shy away. My own

dead souls, my, so called

people. Africa

is a foreign place. You are

as any other sad man here

american.



Tradução de Luci Collin:



O blues africano

não me conhece. Seus passos, em areias

de seu próprio

solo. Um país

em preto & branco, jornais

lançados nas calçadas

do mundo. Não

sentem

o que eu sou.



Resistência



no sonho, um oblíquo

sugar do vigor, o vento

levanta areia, os olhos

estão algo fechados no

ódio, do ódio, do ódio, para

perambularem, eles conduzem

suas mortes em separado

da minha. Aquelas

cabeças, que chamo de

meu “povo”.



(E quem são. Povo. Pra interessar



a mim, homem feio. Quem é

você, para se preocupar com

os estômagos lisos e vazios

das donzelas, morrendo

dentro das casas. Negras. Luar despido

sobre os movimentos

dos meus dedos por baixo

das roupas dela. Cadê

seu marido. Negras

palavras jogam areia

nos olhos, dedos de

seus mortos particulares. Cujas

almas, olhos, na areia. Minha cor

não é a deles. Mais clara, papo de

branco. Eles recuam assustados. Minhas próprias

almas mortas, meu, assim chamado,

povo. A África

é o estrangeiro. Você é

como qualquer outro infeliz aqui



(Ilustração: Jacob Lawrence - painel 27, 1956)

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