quarta-feira, 22 de julho de 2026

LAVORARE STANCA / TRABALHAR CANSA, de Cesare Pavese




Traversare una strada per scappare di casa

Lo fa solo un ragazzo, ma quest'uomo che gira

Tutto il giorno le strade, non è più un ragazzo

E non scappa di casa.



Ci sono d'estate

Pomeriggi che fino le piazze son vuote, distese

Sotto il sole che sta per calare, e quest'uomo, che giunge

Per un viale d'inutili piante, si ferma.

Val la pena esser solo, per essere sempre più solo?

Solamente girarle, le piazze e le strade

Sono vuote. Bisogna fennare una donna

E parlarle e deciderla a vivere insieme.

Altrimenti, uno parla da solo. È per questo che a volte

C'è lo sbronzo notturno che attacca discorsi

E racconta i progetti di tutta la vita.



Non è certo attendendo nella piazza deserta

Che s'incontra qualcuno, ma chi gira le strad

Si sofferma ogni tanto. Se fossero in due,

Anche andando per strada, la casa sarebbe

Dove c'è quella donna e varrebbe la pena.

Nella notte la piazza ritorna deserta

E quest'uomo, che passa, non vede le case

Tra le inutili luci, non leva più gli occhi

Sente solo il selciato, che han fatto altri uomini

Dalle mani indurite, come sono le sue.

Non è giusto restare sulla piazza deserta,

Ci sarà certamente quella donna per strada

Che, pregata, vorrebbe dar mano alla casa.





Tradução de Rubens Ricupero:





Atravessar uma rua para fugir de casa

Só um menino faz isso, mas este homem que anda

O dia inteiro pelas ruas não é mais um menino

E não está fugindo de casa.



Há tardes no verão em que até as praças estão vazias, oferecidas

Ao sol que está se pondo, e este homem que avança

Por uma avenida de árvores inúteis, se detém.

Vale a pena estar só, para sempre ficar mais só?

Por mais que se ande de um lado para outro, as praças e as ruas

Estão vazias. É preciso parar uma mulher

E lhe falar e convencê-la a viver juntos.

De outra forma, a gente começa a falar sozinho.

É por isso que às vezes

Surge um bêbado noturno que te aborda com discursos

E te conta os projetos de uma vida inteira.



Não é certamente esperando na praça deserta

Que se encontra alguém, mas quem anda pelas ruas

Se detém de vez em quando. Se fossem dois,

Mesmo andando pelas ruas, o lar estaria

Onde estivesse aquela mulher e valeria a pena.

De noite a praça volta a ser deserta

E este homem que passa não vê as casas

Entre as luzes inúteis, já não levanta mais os olhos:

Ele sente apenas o pavimento que fizeram outros homens

Com mãos calejadas como as suas.

Não é justo ficar na praça deserta.

Haverá certamente aquela mulher na rua

Que, se lhe fosse pedido, gostaria de dar uma mão na casa.




(Ilustração : Camille Pissarro - Kensington gardens - London, 1890)

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