sexta-feira, 26 de junho de 2009

SONETO A LUIZ VAZ DE CAMÕES, de Carlos Lopes Pires






Incerto amor, tempos duros e sangrentos,
preso num tempo que o teu peito recusou,
e onde padeceste soldado na vida e no amor;
pobre em vida, e na morte tão cheio de honrarias.


Andaste por terras de muito estranhos ventos,

sofrendo de amores que a vida dura separou,
desterrado por paragens de ódio e terror,
desmerecido de uma sorte que imerecias.


Sincero amor que por barcos e países repartiste,

numa dor tão humana e brutalmente imensa,
foi rodeado de inveja e torpeza que te viste.


Saberás agora tu, se onde estiveres existe,

que a poesia que amaste de forma tão extensa,
é só a alegria da vida, que a vida tornou triste.



(Falar às Aves)


(Ilustração: Caspar David Friedrich)




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