terça-feira, 2 de junho de 2009

ROMANCE SONÁMBULO/ ROMANCE SONÂMBULO, de Federico García Lorca








A Gloria Giner

y a Fernando de los Ríos




Verde que te quiero verde.

Verde viento. Verdes ramas.

El barco sobre la mar

y el caballo en la montaña.

Con la sombra en la cintura

ella sueña en su baranda,

verde carne, pelo verde,

con ojos de fría plata.

Verde que te quiero verde.

Bajo la luna gitana,

las cosas la están mirando

y ella no puede mirarlas.



Verde que te quiero verde.

Grandes estrellas de escarcha,

vienen con el pez de sombra

que abre el camino del alba.

La higuera frota su viento

con la lija de sus ramas,

y el monte, gato garduño,

eriza sus pitas agrias.

¿Pero quién vendrá?

¿Y por dónde...?

Ella sigue en su baranda,

verde carne, pelo verde,

soñando en la mar amarga.



Compadre, quiero cambiar

mi caballo por su casa,

mi montura por su espejo,

mi cuchillo por su manta.

Compadre, vengo sangrando,

desde los puertos de Cabra.

Si yo pudiera, mocito,

ese trato se cerraba.

Pero yo ya no soy yo,

ni mi casa es ya mi casa.

Compadre, quiero morir

decentemente en mi cama.

De acero, si puede ser, con

las sábanas de holanda.

¿No ves la herida que tengo

desde el pecho a la garganta?

Trescientas rosas morenas

lleva tu pechera blanca.

Tu sangre rezuma y huele

alrededor de tu faja.

Pero yo ya no soy yo,

ni mi casa es ya mi casa.

Dejadme subir al menos

hasta las altas barandas,

¡dejadme subir!, dejadme

hasta las verdes barandas.

Barandales de la luna por

donde retumba el agua.



Ya suben los dos compadres

hacia las altas barandas.

Dejando un rastro de sangre.

Dejando un rastro de lágrimas.

Temblaban en los tejados

farolillos de hojalata.

Mil panderos de cristal,

herían la madrugada.



Verde que te quiero verde,

verde viento, verdes ramas.

Los dos compadres subieron.

El largo viento, dejaba

en la boca un raro gusto

de hiel, de menta y de albahaca.

¡Compadre! ¿Dónde está, dime?

¿Dónde está tu niña amarga?

¡Cuántas veces te esperó!

¡Cuántas veces te esperara

cara fresca, negro pelo,

en esta verde baranda!



Sobre el rostro del aljibe

se mecía la gitana.

Verde cama, pelo verde,

con ojos de fría plata.

Un carámbano de luna

la sostiene sobre el agua.

La noche se puso íntima

como una pequeña plaza.

Guardias civiles borrachos

en la puerta golpeaban.

Verde que te quiero verde.

Verde viento. Verdes ramas.

El barco sobre la mar.

Y el caballo en la montana.





(Romancero Gitano)




Tradução de Afonso Felix de Sousa:


Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramas.

O barco vai sobre o mar

e o cavalo na montanha.

Com a sombra pela cintura

ela sonha na varanda,

verde carne, tranças verdes,

com olhos de fria prata.

Verde que te quero verde.

Por sob a lua gitana,

as coisas estão mirando-a

e ela não pode mirá-las.




Verde que te quero verde.

Grandes estrelas de escarcha

nascem com o peixe de sombra

que rasga o caminho da alva.

A figueira raspa o vento

a lixá-lo com as ramas,

e o monte, gato selvagem,

eriça as piteiras ásperas.



Mas quem virá? E por onde?...

Ela fica na varanda,

verde carne, tranças verdes,

ela sonha na água amarga.

— Compadre, dou meu cavalo

em troca de sua casa,

o arreio por seu espelho,

a faca por sua manta.

Compadre, venho sangrando

desde as passagens de Cabra.

— Se pudesse, meu mocinho,

esse negócio eu fechava.

No entanto eu já não sou eu,

nem a casa é minha casa.

— Compadre, quero morrer

com decência, em minha cama.

De ferro, se for possível,

e com lençóis de cambraia.

Não vês que enorme ferida

vai de meu peito à garganta?

— Trezentas rosas morenas

traz tua camisa branca.

Ressuma teu sangue e cheira

em redor de tua faixa.

No entanto eu já não sou eu,

nem a casa é minha casa.

— Que eu possa subir ao menos

até às altas varandas.

Que eu possa subir! que o possa

até às verdes varandas.

As balaustradas da lua

por onde retumba a água.



Já sobem os dois compadres

até às altas varandas.

Deixando um rastro de sangue.

Deixando um rastro de lágrimas.

Tremiam pelos telhados

pequenos faróis de lata.

Mil pandeiros de cristal

feriam a madrugada.



Verde que te quero verde,

verde vento, verdes ramas.

Os dois compadres subiram.

O vasto vento deixava

na boca um gosto esquisito

de menta, fel e alfavaca.

— Que é dela, compadre, dize-me

que é de tua filha amarga?

— Quantas vezes te esperou!

Quantas vezes te esperara,

rosto fresco, negras tranças,

aqui na verde varanda!



Sobre a face da cisterna

balançava-se a gitana.

Verde carne, tranças verdes,

com olhos de fria prata.

Ponta gelada de lua

sustenta-a por cima da água.

A noite se fez tão íntima

como uma pequena praça.

Lá fora, à porta, golpeando,

guardas-civis na cachaça.

Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramas.

O barco vai sobre o mar.

E o cavalo na montanha.




(Antologia Poética)





Tradução de Wagner Mourão Brasil:



Verde que te quero verde.

Verde vento. Verdes ramos.

O barco sobre o oceano

e o cavalo na montanha.

Com a sombra na cintura

ela sonha na varanda,

verde carne, trança verde,

com olhos de fria prata.

Verde que te quero verde.

À luz da lua cigana,

fitam-na todas as coisas

e ela não pode fitá-las.




Verde que te quero verde.

Grandes estrelas de neve,

vêm com a sombra da noite

que abre o caminho da aurora.

A figueira atrita o vento

com a lixa de seus ramos,

e o monte, felinamente,

eriça espinhos de pita.

Quem virá, porém? Por onde?...

Ela segue na varanda,

verde carne, trança verde,

sonhando no mar amargo.



Compadre, quero trocar

meu cavalo pela casa,

minha sela pelo espelho,

minha faca pela manta..

Compadre, venho sangrando,

desde as montanhas de Cabra.

Se eu pudesse, meu rapaz,

este trato se fechava.

Porém já não sou mais eu,

minha casa não é minha.

Compadre, quero morrer

com decoro em minha cama.

De ferro, como convém,

com lençóis de fino linho.

Não vês que ferida tenho

que vai do peito à garganta?

Trezentas rosas morenas

tem o teu peitilho branco.

Teu sangue ressuma e cheira

ao redor de tua faixa.

Porém já não sou mais eu,

nem meu lar ainda é meu.

Deixai-me subir ao menos

àquelas altas varandas,

deixai-me subir, deixai-me,

às altas verdes varandas.

Balaustradas da lua

por onde as águas retumbam.




Já sobem os dois compadres

àquelas altas varandas.

Deixando um rastro de sangue.

Deixando um rastro de lágrimas.

Cintilavam nos telhados

lampeõesinhos de lata.

Mil pandeiros de cristal,

feriam a madrugada.




Verde que te quero verde,

verde vento, verdes ramos.

Os dois compadres subiram.

O vento longo deixava

Um raro gosto na boca

de fel, de menta e alfavaca.

Compadre! Onde está, dizei-me

Onde, a tua filha amarga?

Quantas vezes te esperou!

Quantas vezes te esperava,

rosto fresco, negra trança,

sobre esta verde varanda!




Sobre a boca da cisterna

balançava-se a cigana.

Verde carne, trança verde,

com olhos de fria prata.

Um sincelo de luar

a sustenta em cima d’água.

Fez-se de íntima a noite

como uma pequena praça.

Bêbados guardas civis

Davam pancadas na porta.

Verde que te quero verde.

Vento verde. Verdes ramos.

O barco sobre o oceano

E o cavalo na montanha.





(Ilustração: Laura Casas Valle)






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