sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

UIVO, de Allen Ginsberg







para Carl Solomon


I

Eu vi os expoentes da minha geração
destruídos pela loucura, esfomeados, histéricos, nus,
arrastando-se na aurora pelas ruas dos negros buscando uma dose violenta
"hipsters" com cabeça de anjo ardendo pela antiga ligação celestial
com o dínamo estrelado da maquinaria da noite
que pobres, que esfarrapados, que olhos encovados, que pedrados
fumando sentados na escuridão sobrenatural
dos apartamentos míseros só com água fria
flutuando sobre os tetos das cidades contemplando o jazz.
que desnudaram seus cérebros ao Paraíso sob o Metro
que viram anjos maometanos cambaleando iluminados
nos telhados dos bairros sociais,
que passaram por universidades com olhos radiantes e frios
alucinando com o Arkansas e as tragédias à luz de William Blake
entre os aprendizes da guerra,
que foram expulsos das academias por serem loucos
& publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se agacharam em cuecas em quartos por barbear
queimando dinheiro em cestos de papel, escutando
o Terror através da parede.
que foram presos pelas suas barbas púbicas voltando por Laredo
com um cinturão de marijuana para Nova York,
que comeram fogo em hoteis pintados
ou beberam terebentina no Beco do Paraíso, da Morte,
ou flagelaram seus torsos noite após noite
com sonhos, com drogas, com pesadelos acordados,
com álcool e caralhos e colhões sem fim,
cegueira incomparável; ruas de nuvem trêmula e
relampagos na mente pulando postes do Canadá a Paterson,
iluminando pelo caminho o mundo do Tempo parado,
Vestíbulos sólidos de mezcal,
auroras no quintal com árvores verdes de cemitério,
embriaguez de vinho sobre telhados,
o prazer da corrida pelas fachadas das lojas de subúrbio
no neon intermitente do tráfego, na vibração do sol e da lua e
da árvore no estrondoso crepúsculo invernal de Brooklyn,
gritos entre latas de lixo e a suave e soberana luz da mente,
que se acorrentaram ao Metropolitano para o infindável percurso
entre Battery ao sagrado Bronx sob o efeito de benzedrina
até que o barulho das rodas e das crianças os trouxesse de volta,
trêmulos, de boca arrebentada e o cérebro despovoado, deserto e
despojado de qualquer brilho da luz lúgubre do zoo,
que se afundaram toda a noite na luz submarina de Bickford's,
voltaram à tona e aguentaram a tarde de cerveja morta no desolado Fuggazi's
escutando o matraquear da desgraça na Jukebox de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque
a casa, ao bar, ao Bellevue, ao Museu, à Ponte de Brooklyn,
batalhão perdido de conversadores platônicos
saltando dos patamares das escadas de incêndio,
dos parapeitos das janelas do Empire State,
de dentro da Lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurrando fatos e
memórias e anedotas e pontapés nos olhos
e choques nos hospitais e nas prisões e nas guerras,
intelectos inteiros regurgitados em remeniscência total
com os olhos brilhantes por sete dias e noites,
carne para a Sinagoga lançada ao chão,
que desvaneceram no Zen de New Jersey em lugar nenhum
deixando um rastro de ambíguos postais da Câmara de Atlantic City,
sofrendo suores orientais, pulverizações tangerianas nos ossos
e enxaquecas da China em ressaca de heroína
num quarto desolado e sórdido de Newark,
que à meia-noite deram voltas e voltas na oficina ferroviária
imaginando para onde ir
e foram, sem deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões, vagões, vagões
que rumavam ruidosamente pela neve fora
até quintas solitárias na noite antiga,
que estudaram Plotino, Edgar Allan Poe, São João da Cruz, telepatia e Kabbalah-bop
porque o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho
em busca de anjos índios visionários que eram anjos índios visionários,
que julgaram estarem apenas loucos
quando Baltimore reluziu num êxtase sobrenatural,
que pularam em limusines com o Chinoca de Oklahoma
impulsionados pela chuva de inverno à meia-noite na luz das ruas da pequena cidade,
que vaguearam sozinhos e famintos por Houston
procurando jazz ou sexo ou sopa
e seguiram o brilhante Espanhol para conversar sobre a América e a Eternidade,
tarefa deseperante e impossível, e  por isso embarcaram num navio rumo a África,
que desapareceram nos vulcões do México
não deixando nada para trás além da sombra das calças de ganga
e a lava e a cinza da poesia dispersas na lareira de Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste investigando o FBI
de barba e calções com grandes olhos pacifistas e sensuais nas suas peles morenas,
distribuindo folhetos imcompreensiveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços
protestando contra o nevoeiro narcótico de tabaco do Capitalismo,
que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Square,
chorando e despindo-se enquanto as
sirenes de Los Alamos os afugentava protestando mais alto que eles,
protestando pela Wall Street
e protestando também o Ferry de Staten Island,
que caíram em prantos em ginásios brancos,
nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço
e berraram de prazer nos carros presidiários
por não terem cometido qualquer crime
a não ser sua propria intoxicação e pederástia selvagem,
que uivaram de joelhos no Metro
e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram enrabar por motociclistas santificados e gritaram de prazer,
que mamaram e foram mamados por esses serafins humanos,
os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
que fizeram sexo pela manhã, pela tarde em roseirais
na relva de jardins públicos e cemitérios,
espalhando livremente seu sêmem para quem quer que fosse,
fosse quem fosse que se quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar
mas acabaram em lágrimas atrás de um tabique de banho turco
onde o anjo loiro e nu veio penetrá-los com sua espada,
que perderam os seus amantes para as três megeras do destino,
a megera zarolha do dólar heterossexual,
a megera zarolha que pestaneja de dentro do útero
e a megera zarolha que só sabe assentar o cu
retalhando os dourados fios intelectuais do tear do artesão,
que copularam extasiados e insaciáveis com uma garrafa de cerveja,
uma namorada, um maço de cigarros, uma vela,
e caíram da cama e continuaram pelo chão e pelo corredor
e terminaram desmaiando contra a parede com uma visão derradeira de cona e de esporra
a iludir o ultimo jacto de consciência,
que provaram a pachacha de um milhão de miúdas trêmulas ao anoitecer,
e mesmo de olhos vermelhos na manhã seguinte estavam prontos para
fornicar o nascer do sol, exibindo as peidas nos celeiros e nus no lago,
que se prostituíram no Colorado numa miríade de carros roubados na noite,
N.C., herói secreto destes poemas, garanhão e Adonis de Denver,
bem haja a memória das suas incontáveis pinocadas com tipas
em terrenos baldios & pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada,
nas periclitantes filas de poltronas de cinema, no cimo de montanhas em grutas,
ou com esqueléticas empregadas de mesa num íntimo e solitário
levantar de saiotes à beira da estrada & especialmente solipsismos secretos em urinois de Estações de Serviço & também becos da cidade natal,
que se eclipsaram em longos filmes sórdidos, sendo transportados em sonhos,
acordando numa Manhattan súbita e conseguiram voltar com uma
impiedosa ressaca de do fundo das adegas do insensivel Tokay
e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida
& cambalearam rumo aos centros de emprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue
pelo cais repleto de neve, esperando que se abrisse uma porta no East River
dando para um quarto cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas
nos penhascos de apartamentos do Hudson
à luz de azulado holofote anti-aéreo da lua & suas cabeças
deverão ser coroadas de louros no esquecimento,
que comeram o estufado de cordeiro da imaginação
ou digeriram o caranguejo no fundo lodoso dos rios de Bovery,
que choraram diante do romance das ruas
com seus carrinhos de mão cheios de cebola e péssima música,
que ficaram sentados em caixotes respirando na escuridão sob a ponte
e ergueram-se para construir cravos nas suas águas-furtadas,
que tossiram num sexto andar do Harlem coroado de chamas
sob um céu tuberculoso rodeados pelos caixotes alaranjados de teologia,
que rabiscaram a noite toda deitando e rolando sobre encantações sublimes
que á luz amarela do amanhecer revelaram-se estrofes inintelegíveis,
que cozinharam animais apodrecidos, pulmão, coração, patas, cauda,
borsht & tortillas sonhando com o puro reino vegetal,
que se atiraram sob caminhões de carne em busca de um ovo,
que jogaram seus relógios do telhado
fazendo a sua aposta pela Eternidade
fora do Tempo & despertadores caíram nas suas cabeças
por todos os dias da década seguinte,
que cortaram três vezes seus pulsos sucessivamente sem sucesso,
desistiram e foram forçados a abrir antiquários
onde acharam iam envelhecer e choraram,
que foram queimados vivos em seus inocentes fatos de flanela em Madison Avenue
no meio de disparos de versos de chumbo
& o estrondo abafado dos férreos esquadrões da moda
& os guinchos de nitroglicerina das bichas da publicidade
& o gás mostarda dos editores inteligentes e sinistros
ou foram presseguidos pelos táxis embriagados da Realidade Absoluta,
que salataram da Ponte de Brooklyn, isto realmente aconteceu
e partiram desconhecidos e esquecidos
para dentro da espectral confusão das ruelas de sopa & carros de bombeiros
de Chinatown, nem mesmo uma cerveja de borla,
que cantaram nas suas janelas em desepero,
atiraram-se pela janela do Metro, saltaram no imundo rio Passaic,
pularam nos braços dos negros, choraram pela rua afora,
dançaram descalços sobre estilhaços de copos de vinho
destruindo nostálgicos discos de jazz europeu alemão dos anos 30,
terminaram o whisky e vomitaram gemendo em retretes ensanguentadas,
lamentações nos ouvidos e o sopro de colossais apitos a vapor,
que tombaram pelas auto-estradas das viagens do passado
no relógio da solidão prisional no Gólgota do “tunning” de cada um
ou então a encarnação do Jazz de Birmingham,
que guiaram atravessando o país durante setenta e duas horas para saber
se eu tinha tido uma visão ou se tu tinhas tido uma visão ou se ele tinha tido
uma visão para descobrir a Eternidade,
que viajaram rumo a Denver, que morreram em Denver, que retornaram a Denver
& esperaram em vão, que espreitaram Denver & ficaram parados pensando
& solitários em Denver e finalmente partiram para descobrir o Tempo
& agora Denver tem saudades dos seus heróis,
que caíram de joelhos em catedrais sem esperança
rezando pela salvação uns dos outros e luz e os peitos
até que a alma iluminasse seu cabelo por um segundo,
que se esmagaram suas mentes na prisão
aguardando impossíveis criminosos de cabeça dourada
e o encanto da realidade nos seus corações que entoavam docemente
o Blues de Alcatraz,
que se retiraram para ao México para cultivar o vício
ou para as Montanhas Rochosas para venerarem Buda
ou para Tanger para os rapazes ou para Pacifico Sul, para a locomotiva negra,
ou para Harvard, ou para Narciso, para Woodlawn,para o branqueamento ou o túmulo,
que exigiram exames de sanidade mental acusando o rádio de hipnotismo
& foram deixados com sua loucura & suas mãos & um júri suspeito,
que atiraram salada de batata na conferência do City College de New York sobre Dadaísmo
e em seguida se apresentaram na escadaria de granito do manicômio
com cabeças raspadas e fala de arlequim sobre suicídio,
exigindo lobotomia imediata,
e que em lugar disso receberam o vazio concreto da insulina Metrazol
electrochoques, hidroterapia, psicoterapia, terapia ocupacional
pingue-pongue & amnésia,
que num protesto sem graça derrubaram apenas uma simbólica mesa de pingue-pongue, momentaneamente catatônicos,
voltando anos depois, realmente carecas exceto uma peruca de sangue
e lágrimas e dedos para a visível perdição do louco
nas celas das cidades-manicômio do Leste,
os corredores fétidos Pilgrim State, Rockland, Greystone,
lutando com os ecos da alma,
ás cambalhotas à meia-noite no banco da solidão
dos domínios do Dólmen do amor, um pesadelo de sonho de vida,
corpos tornados pedra tão pesados como a lua,
com a mãe finalmente ****** e o último livro fantástico atirado pela janela da casa pobre
e a última porta fechada às 4 da madrugada e o último telefone arremessado
contra a parede em resposta e o último quarto mobiliado
esvaziado até a última peça de mobília mentálica,
uma rosa de papel amarelo retorcida num cabide de arame do armário
e até essa imaginária, nada mais que um bocadinho esperançoso de alucinação
ah, Carl, enquanto tu não estiveres a salvo eu não estarei a salvo
e agora tu estás inteiramente mergulhado no caldo animal do tempo
e que por isso correram obcecados pelas ruas geladas
por um súbito clarão da alquimia do uso
da elipse, do catálogo, da métrica & do plano vibratório
que sonharam e encarnaram brechas no Tempo &
Espaço através de imagens justapostas
e encurralaram o arcanjo da alma entre 2 imagens visuais
e reuniram os verbos elementares
e juntaram o substantivo e o esmagamento da consciência
fervilhando numa sensação de Pater Omnipotens Aeterni Deus,
para recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa humana
e ficaram parados à sua frente, mudos e inteligentes e trêmulos de vergonha,
rejeitados todavia expondo a alma
para conformar-se com o ritmo do pensamento na sua cabeça nua e infinita,
o louco vagabundo e o anjo soam ao mesmo Tempo, desconhecido,
mas mesmo assim deixando aqui o que houver para ser dito
no tempo que virá após a morte,
e reergueram-se reencarnados na roupagem fantasmagórica do jazz
no espectro de trombeta dourada da banda
e fizeram soar o sofrimento da mente nua da América pelo amor
num grito de saxofone de eli eli lama lama sabactani
que estilhaçou as cidades até ao último rádio,
com o coração absoluto do poema da vida arrancado dos seus corpos
comestível por mais mil anos.

II

Que esfinge de cimento e aluminio lhes rachou os crânios
e lhes comeu os miolos e a imaginação?
Moloch! Solidão! Sugidade! Fealdade! Cinzas e Dolars por alcançar!
Crianças gritando nos vãos de escadas! Rapazes em pranto nos exércitos!
Velhos chorosos nos parques!
Moloch! Moloch! Pesadelo de Moloch! Moloch mal-amado!
Moloch mental! Moloch o severo juiz do homem!
Moloch é a prisão incompreensivel! Moloch a cadeia de esqueletos sem alma
e um Congresso de Mágoas! Moloch cujos prédios são julgamento!
Moloch a vasta pedra da guerra! Moloch os governos aturdidos!
Moloch cuja mente é pura maquinaria! Moloch cujo sangue é dinheiro circulando!
Moloch cujos dedos são dez exércitos! Moloch cujo peito é um dínamo canibal!
Moloch cujo ouvido é um tumulo de fumo! Moloch com olhos de mil janelas cegas!
Moloch cujos arranha-céus se estendem por longas ruas como Jeovás intermináveis!
Moloch cujas fabricas sonham e morrem na neblina!
Moloch cujas chaminés e antenas coroam as cidades!
Moloch cujo amor é pedra e petróleo interminável! Moloch cuja alma é electricidade e bancos!
Moloch cuja pobreza é o espectro do génio! Moloch cujo destino é uma nuvem assexuada de hidrogênio! Moloch cujo nome é a Mente!
Moloch em que me sinto sozinho! Moloch em que sonho Anjos! Maluco em Moloch!
Brochista em Moloch! Sem amor e sem homens em Moloch!
Moloch que penetrou cedo em minha alma! Moloch em que sou uma consciência incorpórea!
Moloch que aterrorizando-me me arrancou do meu êxtase natural!
Moloch que eu abandono! Despertem em Moloch! Luz flui dos céus!
Moloch! Moloch! Apartamentos robóticos! subúrbios invisíveis! Tesoureiros esqueletos! Capitais cegas! indústrias demoníacas! nações de espectros! manicômios invenciveis! caralhos de granito! bombas monstruosas!
Deram cabo das costas elevando Moloch aos Céus! Pavimentos, árvores, rádios, toneladas! Ergueram a cidade ao Céu que existe e que está em toda a parte!
Visões! presságios! alucinações! milagres! êxtases! Tudo pelo rio americano abaixo!
Sonhos! Adorações! Iluminações! Religiões! Um amontoado de sensibilidades de merda!
Descobertas! sobre o rio! saltos e cruxificações! Tudo vai com a inundação! Pedradas! Epifanias! Deseperos! Dez anos de gritos animalescos e suicídios! Mentes! Novos Amores!
Geração louca! Em baixo nas rochas do Tempo!
Risos sinceros e sagrados no rio! Eles observaram tudo! Os olhos selvagens! Os gritos sagrados! Despediram-se! Saltaram do telhado! para a solidão! acenando! levando flores!
em direcção ao rio! em direcção á rua!

III

Carl Solomon! Estou contigo em Rockland
onde és mais louco do que eu
Estou contigo em Rockland
onde te deves sentir muito estranho
Estou contigo em Rockland
onde imitas a sombra da minha mãe
Estou contigo em Rockland
onde matas-te as tuas doze secretárias
Estou contigo em Rockland
onde te ris deste humor invisível
Estou contigo em Rockland
onde somos grandes escritores na mesma horrível maquina de escrever
Estou contigo em Rockland
onde o teu estado de saúde se agravou e foi noticiado na rádio
Estou contigo em Rockland
onde as faculdades do crânio já não admitem os vermes dos sentidos
Estou contigo em Rockland
onde bebes chá das mamas das solteironas de Utica
Estou contigo em Rockland
onde gozas com os corpos das tuas enfermeiras, as harpias do Bronx
Estou contigo em Rockland
onde gritas numa camisa de forças que estás a peder o jogo de pingue-pongue do abismo
Estou contigo em Rockland
onde violentas o piano catatônico e a alma é inocente e imortal e jamais deverá morrer ímpia num manicômio armado
Estou contigo em Rockland
onde cinquenta choques adicionais não farão a alma regressar ao corpo de novo da sua peregrinação a uma cruz no vazio.
Estou contigo em Rockland
onde acusas os teus médicos de insanidade e conspiras na revolução Hebraico-socialista contra o nacional-fascismo Gólgota.
Estou contigo em Rockland
onde apartas os céus de Long Island e ressuscitas um Jesus humano e vivo do seu tumulo sobre-humano
Estou contigo em Rockland
onde há vinte e cinco mil camaradas que cantam em conjunto as estrofes finais da Internacional
Estou contigo em Rockland
onde abraçamos e beijamos os Estados Unidos, debaixo dos lençóis os Estados Unidos que tossem toda a noite e não nos deixam dormir.
Estou contigo em Rockland
onde acordamos electrificados de coma pelo barulho dos aviões da nossa alma pelos telhados, eles vieram para lançar bombas angélicas, os hospitais se iluminam, os muros imaginários colapsam,
Ó legiões magras corram lá para fora,
Ó chegou o choque misericordioso de estrelas ornando a guerra eterna,
Ó vitória, esqueçe as cuecas, somos livres
Estou contigo em Rockland
nos meus sonhos caminhas a pingar de uma viagem marítima pelas estradas da América lavado em lágrimas rumo á porta da minha cabana na noite do Oeste.


(Tradução: Ricardo Bargão)




(Ilustração: Uma multidão ouve Allen Ginsberg dar uma leitura de poesia sem censura em Washington parque Square, em Nova York, 1966. AP)



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