domingo, 25 de julho de 2010

THE FORCE THAT THROUGH THE GREEN FUSE DRIVES THE FLOWER / A FORÇA QUE IMPELE ATRAVÉS DO VERDE RASTILHO DA FLOR / A FORÇA QUE DO PAVIO VERDE INFLAMA A FLOR, de Dylan Thomas







The force that through the green fuse drives the flower

Drives my green age; that blasts the roots of trees

Is my destroyer.

And I am dumb to tell the crooked rose

My youth is bent by the same wintry fever.



The force that drives the water through the rocks

Drives my red blood; that dries the mouthing streams

Turns mine to wax.

And I am dumb to mouth unto my veins

How at the mountain spring the same mouth sucks.



The hand that whirls the water in the pool

Stirs the quicksand; that ropes the blowing wind

Hauls my shroud sail.

And I am dumb to tell the hanging man

How of my clay is made the hangman’s lime.



The lips of time leech to the fountain head;

Love drips and gathers, but the fallen blood

Shall calm her sores.

And I am dumb to tell a weather’s wind

How time has ticked a heaven round the stars.



And I am dumb to tell the lover’s tomb



How at my sheet goes the same crooked worm.



Tradução de Fernando Guimarães:



A força que impele através do verde rastilho a flor

impele os meus verdes anos; a que aniquila as raízes das árvores

é o que me destrói.

E não tenho voz para dizer à rosa que se inclina

como a minha juventude se curva sob a febre do mesmo inverno.


A força que impele a água através das pedras

impele o meu rubro sangue; a que seca o impulso das correntes

deixa as minhas como se fossem de cera.

E não tenho voz para que os lábios digam às minhas veias

como a mesma boca suga as nascentes da montanha.


A mão que faz oscilar a água no pântano

agita ainda mais a areia; a que detém o sopro do vento

levanta as velas do meu sudário.

E não tenho voz para dizer ao homem enforcado

como da minha argila é feito o lodo do carrasco.


Como sanguessugas, os lábios do tempo unem-se à fonte;

fica o amor intumescido e goteja, mas o sangue derramado

acalmará as suas feridas.

E não tenho voz para dizer ao dia tempestuoso

como as horas assinalam um céu à volta dos astros.


E não tenho voz para dizer ao túmulo da amada

como sobre o meu sudário rastejam os mesmos vermes.




Tradução de Augusto de Campos:



A força que do pavio verde inflama a flor

Inflama a minha idade verde; que rói as raízes das árvores

É a que me destrói.

E mudo eu sou pra dizer à rosa curva

Que à minha juventude encurva a mesma febre de inverno.



A força que através das rochas move a água

Move o meu sangue rubro; que seca os rios vociferantes

Torna em cera os meus rios.

E mudo eu sou para gritar às minhas veias

Que é a mesma boca a sorver a fonte da montanha.



A mão que faz girar a água no charco

Acorda a areia movediça; que amarra o sopro do vento,

Me arma a vela e a mortalha.

E mudo eu sou pra dizer ao enforcado

Que a minha argila e a do carrasco são a mesma argila.

O tempo com seus lábios suga as minhas fontes;

O amor goteja e coalha mas o sangue caído

Calmará suas chagas.

E mudo eu sou pra dizer ao vento como o tempo

Pulsou um céu em torno das estrelas.



E mudo eu sou pra dizer ao tumulo da amante

Que, curvo, em meus lençóis, se arrasta o mesmo verme.



(A Mão ao Assinar Este Papel; tradução de Fernando Guimarães) 

(Poesia da recusa; organização e tradução Augusto de Campos)

(Ilustração: Deborah Poynton – train journey)




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