quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

FLUTUAÇÕES, de Flora Figueiredo








O sonho aprendeu a pairar bem alto,

lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.

Namorou a trôpega ilusão,

até que trêfego e desajeitado,

desprendeu-se de seu reino idealizado,

veio pousar tamborilante em minha mão.

Assim, aquecido e aconchegado,

parece que se esqueceu de ir embora.

Na hora em que ressona distraído,

eu lhe pingo malemolências ao ouvido,

à sua inquietação eu me sujeito.

Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,

seu corpo repousa no meu peito.


(Amor a céu aberto)



(Ilustração: Adam Miller - spill)






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