Bates-me e ameaças-me
Agora que levantei minha cabeça esclarecida
E gritei: “Basta!” (…) Condenas-me à escuridão eterna
Agora que minha alma de África se iluminou
E descobriu o ludíbrio e gritei, mil vezes gritei: “Basta!”.
Armas-me grades e queres crucificar-me
Agora que rasguei a venda cor-de-rosa
E gritei: “Basta!”
Condenas-me à escuridão eterna agora que minha
alma de África se iluminou e descobriu o ludíbrio...
E gritei, mil vezes gritei: ”Basta!”
Ó carrasco de olhos tortos,
De dentes afiados de antropófago
E brutas mãos de orango:
Vem com o teu cassetete e tuas ameaças,
Fecha-me em tuas grades e crucifixa-me,
Traz teus instrumentos de tortura
E amputa-me os membros, um a um…
Esvazia-me os olhos e condena-me à escuridão eterna… –
que eu, mais do que nunca,
Dos limos da alma,
Me erguerei lúcida, bramindo contra tudo:
Basta! Basta! Basta!
(Sangue negro. Moçambique: Associação de Escritores Moçambicanos, 2001)
(Ilustração: João Timane, artista plástico Moçambicano – rosto)

Nenhum comentário:
Postar um comentário