sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

PARAÍSO PERDIDO, de Bernardino Lopes







Outro, não eu, que desespero, ao cabo

De, em pedrarias de arte e versos de ouro,

Ter dissipado todo o meu tesouro,

Como os florins e as joias de um nababo;



Outro, não eu, que para o chão desabo

Esquecendo-te as culpas e o desdouro,

E a teus pés de marfim, como o rei mouro

Em torrentes de lágrimas acabo;



Outro conspurca-te a beleza augusta,

Cujo anseio de posse ainda me custa

Como um verme faminto andar de rastros.



E mais deploro este meu sonho falso

Ao recordar que andei no teu encalço

Pelo caminho rútilo dos astros!


(Helenos, 1901) 



(Ilustração: Boris Vallejo)

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