quinta-feira, 4 de abril de 2019

REGRESSO, de Amílcar Carvalho




 



Mamãe Velha, venha ouvir comigo

o bater da chuva lá no seu portão.

É um bater de amigo

que vibra dentro do meu coração.



A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,

que há tanto tempo não batia assim...

Ouvi dizer que a Cidade-Velha,

— a ilha toda —

Em poucos dias já virou jardim...

Dizem que o campo se cobriu de verde,

da cor mais bela, porque é a cor da esp´rança.

Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.

— É a tempestade que virou bonança...



Venha comigo, Mamãe Velha, venha,

recobre a força e chegue-se ao portão.

A chuva amiga já falou mantenha

e bate dentro do meu coração!



(Emergência da poesia em Amílcar Cabral - 30 poemas)



(Ilustração: Tchalê Figueira - Sao Vicente)





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