quinta-feira, 11 de maio de 2017

DEL TIEMPO LARGO / DO LONGO TEMPO, de Fina García Marruz






A veces, en raros

instantes, se abre, talud

real y enorme, el tiempo

transcurrido.

Y no es entonces

breve el tiempo. Como el pájaro

al elevar se abarca con sus alas

un diminuto pueblo o costerío,

la inmensidad de lo vivido arrecia,

y se mira remoto el ayer próximo,

en que el pico ávido bajaba

en busca de alimento.

¡Qué eternidad

de soles ya vividos! ¡Y qué completa

ausencia de nostalgia! Para crecer

se vive. Para nacer de nuevo

y rehacer la mala copia original.

Para crecer, se sufre. No se quiere

volver atrás, ni tan siquiera al tiempo

rumoreante de la juventud.

Que no para que el rostro

luzca lozano y terso se ha vivido.

No para atraer por siempre con el fuego

de la mirada, no con el alma en vilo

por siempre se ha de estar.

De cierto modo

la juventud es también como una cierta

decrepitud: un ser informe,

larva, debatíase, qué peligrosamente

amenazado. Se vivió, se salió,

quién sabe cómo, del hueco,

de la trampa:

Valió el otro

del bosque de la vida, el pleno encanto

de los claros del sol entre lo umbrío

para pagar su precio: lo tanto

costó poco: poco el sufrir inmenso

para esta dádiva. Al rastro

orne la arruga como el pecho la cinta coloreada

de un guerrero

o como al niño la medalla premia

por la humilde labor.

Como el avaro

el peso de un tesoro) encorva

la espalda anciana el peso

del vivir.

Mas ya, arriba,

a la salida, ya, se mira

hacia atrás sonriendo, renacido,

como agrietada cáscara el polluelo,

ya se van desligando las amarras,

del extraño navío, y como navío trémulo

locamente lo incierto hace señales.



Costó dotar, muerte costó, la vida.

Y al tiempo) breve o largo, siempre corto,

como el relámpago del amor, se le mira

ya sin recelo ni amargura

como a las heridas de la mano, en el arduo

aprender de su oficio,

contempla el aprendiz.



Bella es toda partida.



Tradução de Alai Garcia Diniz e Luizete Guimarães Barros:



Às vezes, em raros

instantes, se abre, talude

real e enorme, o tempo

transcorrido.

E então não é

breve o tempo. Como o pássaro

ao elevar-se atinge com suas asas

uma diminuta vila ou encosta,

a imensidão do vivido se fortalece,

e se vê remoto o ontem próximo,

em que o bico ávido descia

em busca de alimento.

Que eternidade

de sóis já vividos! E que completa

ausência de saudade! Para crescer

se vive. Para nascer de novo

e refazer a má cópia original.

Para crescer, se sofre. Não se quer

voltar atrás, nem sequer ao tempo

rumorejante da juventude.

Não é para que o rosto

reluza viçoso e terso que se viveu.

Não para atrair para sempre com o fogo

do olhar, nem com a alma no ar

para sempre se há de estar.

De certo modo

a juventude é também como uma certa

decrepitude: um ser informe,

larva que se debatia, quando perigosamente

ameaçada. A gente viveu, saiu,

sabe Deus como, do oco,

da trapaça:

Serviu-se o outro

do bosque da vida, o encanto pleno

dos clarões do sol entre as sombras

para pagar seu preço: o muito

custou pouco; pouco o sofrer imenso

para esta dádiva. Ao rosto

orne a ruga como ao peito a cinta rubra

de um guerreiro

ou como ao menino premia a medalha

pelo humilde labor.

Como ao avaro

o peso de um tesouro, encurva

às costas velhas o peso

do viver.

Mas já, acima,

à saída, já se olha

para trás sorrindo, renascido,

como o pintinho agride a casca,

já se vão desfazendo as amarras

do estranho navio, e como noivo trêmulo

loucamente o acaso faz sinais.



Causou dor, morte causou, a vida.

Em seu tempo, breve ou longo, sempre curto,

como o relâmpago do amor, já é olhado

sem receio nem amargura

como às feridas da mão, no árduo

aprender de seu ofício,

contempla o aprendiz.



Bela é toda partida.



(Visitaciones)





(Ilustração: Nicolás Berlingieri - Dali time statue)



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