sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A JANELA INDISCRETA, de Sílvio Augusto Gallucci









Quero ver a noite nos teus olhos de estrela pagã:

Vocifera nos meus ouvidos a lágrima ardente

De paixão: e permita que, por uma só vez,

Aconchegue-me aos seios teus

E desfaça-me, lúcido, líquido, inverossímil e poeta

Por entre seus cachos

Que persistem a inexistir

Por detrás da boca úmida, seca

E antitética,

Tocando com suavidade

Envolvendo sua doce voz na melodia

Ainda que desgastada

Desta canção de virgem ardor

Puritanamente reservada.



Ao último verso.



À última letra.



Ao último beijo.



Ou a uma indiscreta janela.





(Ilustração: Liu Yuanshou)



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