quarta-feira, 9 de abril de 2014

A UM HOMEM , de Adalgisa Néri











Quando numa rocha porosa


Cansado te encostares


E dela vires surgir a umidade e depois a gota,


Pensa, amado meu, com carinho,


Que aí esta a minha boca.


Se teus olhos ficarem nas praias


E vires o mar ensalivando a areia


Com alegria pensa amado meu


Num corpo feliz


Porque é só teu.


Se descansares sob uma arvore frondosa


E além da sombra ela te envolver de ar resinoso


Lembra-te com entorpecência amado meu,


Da delicia do meu ventre amoroso.


Quando olhares o céu


E vires a andorinha tonta na amplidão


Pensa amado meu que assim sou eu


Perdida na infindável solidão.


À noite quando as trevas chegarem


E vires do firmamento


Uma estrela cair e se afundar


É sinal amado meu


Que o teu amor vai me abandonar.


Na morte, quando perderes o último sentido


E a tua própria voz


Em forma de pensamento


Te subir ao ouvido


Deixa escorrer a derradeira lagrima pelo teu rosto


Nascida do extremo alento do coração


E pensa então amado meu

Que ainda é um suave carinho da minha mão!




(Ilustração: Mara Sicca)


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