sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MÃE NEGRA, de Aguinaldo Fonseca









A mãe negra embala o filho.


Canta a remota canção


Que seus avós já cantavam


Em noites sem madrugada.


Canta, canta para o céu


Tão estrelado e festivo.


É para o céu que ela canta,


Que o céu


Às vezes também é negro.


No céu


Tão estrelado e festivo


Não há branco, não há preto,


Não há vermelho e amarelo.


— Todos são anjos e santos


Guardados por mãos divinas.


A mãe negra não tem casa


Nem carinhos de ninguém...


A mãe negra é triste, triste,


E tem um filho nos braços...


Mas olha o céu estrelado


E de repente sorri.


Parece-lhe que cada estrela


É uma mão acenando


Com simpatia e saudade...



(Poetas africanos contemporáneos, org. Fayada Jamis, Virgilio Piñera, Armando Álvarez Bravo, Manuel Cabrera y David Fernándes)



 (Ilustração: Elisha Ongere - my baby)




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