sábado, 23 de outubro de 2010

E ENTÃO, QUE QUEREIS?..., de Maiakóvski






Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora


perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também por que razão

haveríamos de ficar tristes?


O mar da história

é agitado.

As ameaças


e as guerras

havemos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,


cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.




(Maiakóvski — Antologia Poética, tradução de E. Carrera Guerra)



(Ilustração: Delacroix)




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