Onde solares e ilusão, fazendas, castelos, pastagens
Onde braceletes, carrões, piscinas azul-turquesa
Nada melhor de se mirar
Neste rico mundo — para uns.
Onde, para mim, é conjugar contigo o verbo AMAR,
MARTA,
E, os dois, incarnar as pessoas, os tempos e os modos deste verbo.
Em contente união.
Uns
Outros
Tenho dito a mim mesmo repetidas vezes:
"E foi para isso que tu, ó Poeta, ouviste os profetas
Do Oriente e os hinos dos Gregos
E ainda há pouco o roncar dos trovões, para colocares
O Espírito em uso servil e ultrapassares em escárnio
A presença do bom, e negares o simples,
Sem coração e em jogo mercenário
Tangê-lo como animal cativo?"
Tenho dito.
E foi para isso que aprendes de cor e salteado, que decoraste
Que gravaste no coração as baladas de Villon, o Vagabundo
E pregaste nas paredes as canções de amor de Safo?
Tenho dito.
Tenho dito e aqui repito.
Que sou nefelibata nato.
Que antanho me supus uma máscara inscrita: "GIGOLÔ DE BIBELÔS".
Que sempre serei surrupiador de souvenirs.
E é assim, Poeta, que te indefines?
Assim te desenrolas das peçonhas e as malhas de lei não podem te
pescar.
Quem és, afinal? A qual espécie de peixe pertences?
Um mero embaralhador de cartas.
Um mero embaralhador de cartas pousadas sobre o veludo da mesa
deste profuso cassino.
(Ilustração: Pablo Picasso - the poet)

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