sexta-feira, 17 de abril de 2026

THE LOVECRAFTER / ARTESÃ DO AMOR, de Patti Smith





I saw you who was myself

slightly stopped whistling mouth

with leather sack and breeches brown

striding the naked countryside



with summer bones long and dry

into the breadth of our glad day

mid afternoon the longer night

as you tread bareheaded bright



I saw you a wraith bemoan

stir the fires of ancien tones

scarred with sticks pome and haw

as the néctar for their script



I saw you walk the length of fields

Far as the finger of Providence

far as the mouns we call hills

ranges cut from the heart of slate



I saw you dip into your sack

scattering seed where they may

as the woodsman hews his way

through oak ash and variant pines



for writing desks that shall reflect

a sheaf of lines that speak of trees

all sober hopes requires within

all drunkenness as sacred swims





I saw the book upon the shelf

I saw you who was myself

I saw the empty sack at last

I saw the branch your shadow cast



Tradução de Fergath (Fernanda Burgath):



Eu vi você, que era eu

boca assobiando em entretom

sacola de couro e calça marrom

caminhando longe pelo campo nu



por debaixo da roupa, vi seus ossinhos

eram eles e eu, mas não sozinhos

no meio da tarde da noite mais longa

brilha no céu a sua careca redonda



te vi como um fantasma lamurioso

por detrás do grande fogo ancestral

suas cicatrizes ainda visíveis e frescas

tão necessárias a sua narrativa



galgando o campo todo

até o limite da Providência

às montanhas, que chamamos de colinas

corações de ardósia cortados em lâminas



Eu vi você meter a mão em sua sacola

e deixar cair sementes estrada afora

como o lenhador que segue seu caminho

por freixos de carvalho e pinheiros variados

por escrivaninhas que devem refletir

um feixe de linhas que falam de árvores

todas as esperanças sóbrias requerem

a embriaguez como nado sagrado



um livro na estante, no quase breu

eu vi você, que era eu

por fim, em sua sacola vazia

eu vi sua sombra que me estendia



(Ilustração: Remedios Varo - el trovador, 1959)

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