quarta-feira, 19 de outubro de 2022

CANTIGA DE MALDIZER, de Afonso Eanes de Coton (*)

 




Marinha, o teu folgar

tenho eu por desacertado,

e ando maravilhado

de te não ver rebentar;

pois tapo com esta minha

boca, a tua boca, Marinha;

e com este nariz meu,

tapo eu, Marinha, o teu;

com as mãos te tapo as orelhas,

os olhos e as sobrancelhas,

tapo-te ao primeiro sono;

com a minha piça o teu cono;

e como o não faz nenhum,

com os colhões te tapo o cu.

E não rebentas, Marinha?



(*) Segundo a hipótese de Rodrigues Lapa, trata-se de Marinha Sabugal que aparece mais de uma vez nos cantares de Coton.


(Ilustração: A Duquesa Feia - arquivo Quentin Matsys -c.1513)

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