quinta-feira, 6 de maio de 2021

I VERSI / OS VERSOS, de Vittorio Sereni


 

Se ne scrivono ancora.

Si pensa ad essi mentendo

ai trepidi occhi che ti fanno gli auguri

l’ultima sera dell’anno.

Se ne scrivono solo in negativo

dentro un nero di anni

come pagando un fastidioso debito

che era vecchio di anni.

No, non è più felice l’esercizio.

Ridono alcuni: tu scrivevi per l’Arte.

Nemmeno io volevo questo che volevo ben altro.

Si fanno versi per scrollare un peso

e passare al seguente. Ma c’è sempre

qualche peso di troppo, non c’è mai

alcun verso che basti

se domani tu stesso te ne scordi.[1]



Tradução de Aurora Fornoni Bernardini:



Ainda se escrevem.

Neles pensa-se mentindo

aos trépidos olhos que na última noite do ano

desejam-te o melhor.

Escrevem-se só no negativo

dentro de um atro de anos

como pagando uma dívida enfadonha

velha de anos.

Não, não é mais feliz o exercício.

Riem alguns: tu escrevias pela Arte.

Nem eu queria isso que queria outra coisa.

Fazem-se versos para sacudir um peso

e passar ao seguinte. Mas sempre há

algum peso a mais, não há nunca

algum verso que baste

se amanhã tu mesmo o esquecerás.



Nota:

[1] De: SERENI, Vittorio. Gli strumenti umani. Torino: Einaudi, 1965.



(“Seis poetas italianos”. In Literatura Italiana Traduzida, v.1., n.8, ago. 2020)



(Ilustração: Vincent Willem van Gogh - Noite Estrelada Sobre o Ródano)



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