terça-feira, 20 de dezembro de 2016

MA BOHÈME (FANTASIE) / MINHA BOEMIA (FANTASIA), de Arthur Rimbaud









Je m' en allais, les poings dans mes poches crevées;

Mon paletot aussi devenait idéal;

J' allais sous le ciel, Muse! et j' étais ton féal;

Oh! là là! que d' amours splendides j' ai rêvées!



Mon unique culotte avait un large trou.

— Petit-Poucet rêveur, j' égrenais dans ma course

Des rimes. Mon auberge était à la Grande-Ourse.

— Mes étoilles au ciel avaient un doux frou-frou.



Et je les écoutais, assis au bord des routes,

Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes

De rosée à mon front, comme un vin de vigueur;



Où, rimant au millieu des ombres fantastiques,

Comme des lyres, je tirais des élastiques

De mes souliers blessés, un pied près de mon coeur!



Tradução de Claudio Daniel:



Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;

O meu paletó não era bem o ideal;

Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;

Ah! E sonhava mil amores insensatos



Minha única calça tinha um largo furo.

Pequeno Polegar, eu tecia no percurso

Um rosário de rimas. A Grande Ursa,

O meu albergue, brilhava no céu escuro.



Sentado na sarjeta, só, eu a ouvia

Nessa noite de setembro em que sentia

O odor das rosas, que vinho vigoroso!



Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,

Rimava com a débil lira dos elásticos

De meus sapatos, e o coração doloroso!





(Ilustração: Nicolás Berlingiere - Homage to the Painters)


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