quinta-feira, 4 de junho de 2015

COLLOQUE SENTIMENTAL / COLÓQUIO SENTIMENTAL, de Paul Verlaine








Dans le vieux parc solitaire et glacé


Deux formes ont tout à l’heure passé.




Leurs yeux sont morts et leurs lèvres sont molles,


Et l’on entend à peine leurs paroles.




Dans le vieux parc solitaire et glacé


Deux spectres ont évoqué le passé.




- Te souvient-il de notre extase ancienne?


- Pourquoi voulez-vous donc qu’il m’en souvienne?




-Ton coeur bat-il toujours à mon seul nom?


Toujours vois tu mon âme en rêve? - Non.




–Ah! les beaux jours de bonheur indicible


Où nous joignions nos bouches! - C’est possible.




-Qu’il était bleu, le ciel, et grand l’espoir!


- L’espoir a fui,vaincu, vers le ciel noir.




Tels ils marchaient dans les avoines folles,


Et la nuit seule entendit leurs paroles.





Tradução de Wagner Mourão Brasil:





No solitário e velho parque congelado


Seguidamente duas formas têm passado.




Seus olhos estão mortos, seus lábios, pendidos,


E os seus colóquios mal e mal são percebidos.




No solitário e velho parque congelado


Dois espectros vão recordando o seu passado.




- Tu recordas dos nossos êxtases de outrora?


- Por que quereis que sejam lembrados agora?




- De meu nome o som faz vibrar teu coração?


Sempre vês a minh’ alma nos teus sonhos? – Não.




- Ah! Os belos dias, felicidade indizível


Quando uníamos nossas bocas! - É possível.




- Como era azul o céu, e a esperança, elevada!


- A esperança foi-se na noite, derrotada.




Desse modo seguiam por entre a folhagem

E só a noite fria entendeu a sua parolagem.





Tradução de Onestaldo de Pennafort:






No velho parque frio e abandonado


duas sombras passaram, há bocado.




Dos olhos mortos, seus lábios, tristes, pendem


e as palavras que dizem mal se entendem.




No velho parque frio e abandonado,


dois espectros evocam o passado.




– Recordas-te do nosso enlevo, outrora?


– Para que queres que me lembre agora?




– Ainda, se ouves meu nome, o coração


te bate? Ainda me vês em sonho? – Não.




– Ai, o bom tempo de êxtase indizível


em que as bocas unimos! – É possível.




– Como era azul o céu e esperançoso!


– A esperança se foi no céu umbroso.




Tais, pela relva trêmula seguiam


e só a noite ouviu o que diziam.






Tradução de Guilherme de Almeida:





No velho parque frio e abandonado


Duas formas passaram, lado a lado.




Olhos sem vida já, lábios tremendo,


Apenas se ouve o que elas vão dizendo.




No velho parque frio e abandonado,


Dois vultos evocaram o passado.




– Lembras-te bem do nosso amor de outrora?


– Por que é que hei de lembrar-me disso agora?




– Bate sempre por mim teu coração?


Vês sempre em sonho minha sombra? – Não.




– Ah! aqueles dias de êxtase indizível


Em que as bocas se uniam! – É possível.




– Como era azul o céu, e grande, o sonho!


– Esse sonho sumiu no céu tristonho.




Assim por entre as moitas eles iam,


E só a noite escutou o que diziam.





Tradução de Paulo Azevedo Chaves:





Num parque solitário e gelado
Um casal caminhava apressado.



O olhar era vazio, cada boca, uma cava
E o que diziam bem mal se escutava.



Num parque solitário e gelado
Dois vultos relembravam o passado.



– Lembras-te de nosso amor, amigo?
– Tolice... um caso já tão antigo!



– Nada restou de tua paixão?
Nunca pensas em mim? – Não.


– O êxtase era indescritível
A cada beijo. – É possível.



– O céu era claro, parecia belo o futuro.
– O futuro envileceu, o céu ficou escuro.


Assim iam eles pelas aleias, de olhar fito,
E só a noite escutou o que foi dito.



                     (Ilustração: Jacques de Gheyn the Elder - Vanitas still life)



Nenhum comentário:

Postar um comentário