domingo, 6 de março de 2011

NEM TENHO PAZ NEM COMO FAZER GUERRA, de Petrarca







Nem tenho paz nem como fazer guerra,
espero e temo e a arder gelo me faço,
voo acima do céu e jazo em terra,
e nada agarro e todo o mundo abraço.

Tem-me em prisão quem na não abre ou cerra,

nem por seu me retém nem solta o laço,
e não me mata Amor, nem me desferra,
nem me quer vivo ou fora de embaraço.

Vejo sem olhos, sem ter língua grito,

anseio por morrer, peço socorro,
amo outrem e a mim tenho um ódio atroz,

nutro-me em dor, rio a chorar aflito,

despraz-me por igual se vivo ou morro.
Neste estado, Senhora, estou por vós.


(Tradução de Vasco Graça Moura)


(Ilustração: Lucian Freud – naked man on bed)



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