segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SÓ, de Adelaide de Castro Alves Guimarães






Acercou-se do leito em andar vagaroso:

Condenada dir-se-ia a chegar ao degredo...

O vazio... o abandono... o sossego penoso...

Na marmórea brancura um funéreo lajedo!!...



Onde a estância risonha, o país venturoso

dos afagos sutis... da carícia em segredo...

Dos seus dous corações o pulsar amoroso

De onde a sorte cruel, a expulsara tão cedo?!...


Nesta angústia, que espera esse olhar assim fito

No macio colchão, na macia almofada,

Testemunhos do amor que ora mata-a ora a encanta


Se tão longe, tão longe! em lençóis do infinito

Prisioneiro ele dorme em alcova isolada

Nesse leito do qual ninguém mais se levanta?...





(Ilustração: Gauguin - nevermore)






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