terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PRAISE FOR AN URN / LOUVOR PARA UMA URNA, de Hart Crane








In memorian: Ernest Nelson 


It was a kind and northern face
That mingled in such exile guise
The everlasting eyes of Pierrot
And, of Gargantua, the laughter.


His thoughts, delivered to me
From the white coverlet and pillow,
I see now, were inheritances —
Delicate riders of the storm.


The slant moon on the slanting hill
Once moved us toward presentiments
Of what the dead keep, living still,
And such assessments of the soul


As, perched in the crematory lobby,
The insistent clock commented on,
Touching as well upon our praise
Of glories proper to the time.


Still, having in mid gold hair,
I cannot see that broken brow
And miss the dry sound of bees
Stretching across a lucid space.


Scatter these well-meant idioms
Into the smoky spring that fills
The suburbs, where they will be lost.
They are to trophies of the sun.




Tradução de Eric Ponty:


In memoriam: Ernest Nelson



Era uma face amável do norte
Isso criou o disfarce de exilado
Os olhos perpétuos de Pierrô
E, De Gargântua, o seu riso.

Seus pensamentos entregues a mim,
Na colcha branca do travesseiro
Eu percebo agora, eram heranças
Cavaleiros delicados da tempestade.

A lua inclinada na colina tendente
Uma vez orientada em nossos pressentimentos
Do que o morto mantém vivo ainda
Em tais existências da alma.

Empoleirado na entrada do crematório,
O relógio insistente comentava
Tocando bem em nosso elogio
De glórias formais do tempo.

Ainda, tendo em meio ao cabelo de ouro,
Eu não posso ver aquela sobrancelha presa
E que se perde no som seco de abelhas
Estiradas por um espaço lúcido.

Difunda estas palavras bem-significadas.
Na primaveril fonte enfumaçada que enche
Os subúrbios onde elas irão por último.
Estes não são nenhuns troféus do sol.



Tradução de Luiz Ariston Dantas:

In Memoriam: Ernest Nelson 





Aquela face nortista e amável
Mesclava na aparência de exílio
Seus eternos olhos de Pierrot
E, de Gargântua, o seu sorriso.


Pensamentos que me dirigira
Do travesseiro, em cobertas brancas,
Agora sei, eram nossa herança–
Finos cavaleiros da tormenta.


Lua torta em tortuosa colina
Transportou-nos a pressentimentos
Do que guardava o morto, inda vivo,
E ponderações, que tais, da alma,


Quando, no alto, o relógio instante,
Do saguão do crematório, zomba,
Acompanhando nossa oração
De glórias pertencentes ao tempo.





Tradução de Augusto de Campos:



In memoriam: Ernest Nelson 



Era do norte o rosto terno
De falso exilado, juntando
De Pierrô o olhar eterno
E a gargalhada de Gargântua.


Os sonhos que me confiava
Do travesseiro branco, insone,
Agora eu sei, eram heranças –
Corcéis suaves do ciclone.


No monte oblíquo a lua oblíqua
Nos deu presságios indistintos
Do que ainda vivo o morto abriga,
Questões da alma e dos instintos.


Iguais às que, no crematório,
Do alto o relógio remoía
Sem poupar nosso obrigatório
Louvor às glórias desse dia.


Mas ao lembrar a mecha de ouro,
Já não suporto o rosto baço
Nem as abelhas, surdo coro,
Atravessando a luz do espaço.


Espalha a cinza destes versos
Pelos subúrbios, no arrebol
Onde se perderão, dispersos.
Estes não são troféus do sol.



(Poesia da recusa)



(Ilustração: Emil Nolde - fingsten)


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