quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

PAUPÉRIA REVISITADA, de Ricardo Aleixo









Putas, como os deuses,

vendem quando dão.

Poetas, não.

Policiais e pistoleiros

vendem segurança

(isto é, vingança

ou proteção).

Poetas se gabam

do limbo, do veto

do censor, do exílio, da vaia

e do dinheiro não).

Poesia é pão (para

o espírito, se diz) mas atenção:

o padeiro da esquina balofa

vive do que faz; o mais

fino poeta, não.

Poetas dão de graça

o ar de sua graça

(e ainda troçam

na companhia das traças

de tal "nobre condição").

Pastores e padres vendem

lotes no céu à prestação.

Políticos compram &

(se) vendem

na primeira ocasião.

Poetas (posto que vivem

de brisa) fazem do No, thanks

seu refrão.





(Máquina Zero)



(Ilustração: Diego Rivera – flowerseller)




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