domingo, 23 de junho de 2013

ΠΕΡΙΜΈΝΟΝΤΑΣ ΤΟΥΣ ΒΑΡΒΆΡΟΥΣ / À ESPERA DOS BÁRBAROS, de Konstantinos Kaváfis






– Τι περιμένουμε στην αγορά συναθροισμένοι;


Είναι οι βάρβαροι να φθάσουν σήμερα.


– Γιατί μέσα στην Σύγκλητο μιά τέτοια απραξία;

Τι κάθοντ’ οι Συγκλητικοί και δεν νομοθετούνε;


Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα.

Τι νόμους πια θα κάμουν οι Συγκλητικοί;

Οι βάρβαροι σαν έλθουν θα νομοθετήσουν.


– Γιατί ο αυτοκράτωρ μας τόσο πρωί σηκώθη,

και κάθεται στης πόλεως την πιο μεγάλη πύλη

στον θρόνο επάνω, επίσημος, φορώντας την κορώνα;


Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα.

Κι ο αυτοκράτωρ περιμένει να δεχθεί

τον αρχηγό τους. Μάλιστα ετοίμασε

για να τον δώσει μια περγαμηνή. Εκεί

τον έγραψε τίτλους πολλούς κι ονόματα.


– Γιατί οι δυό μας ύπατοι κ’ οι πραίτορες εβγήκαν

σήμερα με τες κόκκινες, τες κεντημένες τόγες•

γιατί βραχιόλια φόρεσαν με τόσους αμεθύστους,

και δαχτυλίδια με λαμπρά γυαλιστερά σμαράγδια•

γιατί να πιάσουν σήμερα πολύτιμα μπαστούνια

μ’ ασήμια και μαλάματα έκτακτα σκαλισμένα;


Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα•

και τέτοια πράγματα θαμπόνουν τους βαρβάρους.


– Γιατί κ’ οι άξιοι ρήτορες δεν έρχονται σαν πάντα

να βγάλουνε τους λόγους τους, να πούνε τα δικά τους;


Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα•

κι αυτοί βαριούντ’ ευφράδειες και δημηγορίες.


– Γιατί ν’ αρχίσει μονομιάς αυτή η ανησυχία

κ’ η σύγχυσις. (Τα πρόσωπα τι σοβαρά που έγιναν).

Γιατί αδειάζουν γρήγορα οι δρόμοι κ’ οι πλατέες,

κι όλοι γυρνούν στα σπίτια τους πολύ συλλογισμένοι;


Γιατί ενύχτωσε κ’ οι βάρβαροι δεν ήλθαν.

Και μερικοί έφθασαν απ’ τα σύνορα,

και είπανε πως βάρβαροι πια δεν υπάρχουν.


Και τώρα τι θα γένουμε χωρίς βαρβάρους.


Οι άνθρωποι αυτοί ήσαν μιά κάποια λύσις.




Tradução de José Paulo Paes:




O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.


Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?


É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis há de fazer os senadores?

Os bárbaros que chegam as farão.



Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?


É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar

o chefe deles. Tem pronto para dar-lhes

um pergaminho no qual estão escritos

muitos nomes e títulos.



Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos,

de ouro e prata finamente cravejados?


É que os bárbaros chegam hoje,

tais coisas os deslumbram.




Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?


É que os bárbaros chegam hoje

e aborrecem arengas, eloquências.



Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?



Porque é já noite, os bárbaros não vêm

e gente recém-chegada das fronteiras

diz que não há mais bárbaros.



Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.




Tradução de Haroldo de Campos:



– Que esperamos reunidos na ágora?

É que hoje os bárbaros chegam.



– Por que tanta abulia no Senado?

Por que assentam os Senadores? Por que não ditam normas?



Porque os bárbaros chegam hoje.

Que normas vão editar os Senadores?

Quando chegarem, os bárbaros ditarão as normas.



– Por que o Autocrátor levantou-se tão cedo

e está sentado frente à Porta Nobre da cidade

posto em seu trono, portanto insígnias e coroa?



Porque os bárbaros chegam hoje.

E o Autocrátor espera receber

o seu chefe. Mais do que isto, predispôs

para ele o dom de um pergaminho. Ali

fez inscrever profusos títulos e nomes sonoros.



– Por que nossos dois cônsules e os pretores saíram

esta manhã com togas rubras, com finos bordados de agulha?

Por que essas braçadeiras que portam, pesadas de ametistas,

e os anéis dactílicos lampejando reflexos de esmeralda?

Por que ostentam hoje os cetros preciosos,

esplêndido lavor de cinzel, amálgama de ouro e prata?



Porque os bárbaros chegam hoje,

e toda essa parafernália deslumbra os bárbaros.



– Por que nossos bravos tributos não acodem

como sempre, a blasonar seu verbo, a perorar seus temas?



Porque os bárbaros chegam hoje,

e eles desprezam a oratória e a logorreia.



– Por que de repente essa angústia,

esse atropelo? (Todos os rostos de súbito sérios!)

Por que rápidas se esvaziam ruas e praças

e os antes reunidos retornam atônitos às casas?



Porque a noite chegou e os bárbaros não vieram.

E pessoas recém-vindas da zona fronteiriça

murmuram que não há mais bárbaros.



E nós, como vamos passar sem os bárbaros?

Essa gente não rimava conosco, mas já era uma solução.




(Poemas)




(Ilustração: De Chirico - Los diósculos)








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