quinta-feira, 6 de maio de 2010

IF... / SE..., de Rudyard Kipling






If you can keep your head when all about you,

Are losing theirs and blaming it on you,

If you can trust yourself when all men doubt you,

But make allowance for their doubting too;

If you can wait and not be tired by waiting,

Or being lied about, don't deal in lies,

Or being hated, don't give way to hating,

And yet don't look too good or talk too wise:


If you can dream and not make dreams your master;

If you can think and not make thoughts your aim;

If you can meet with Triumph and Disaster

And treat those two impostors just the same;

If you can bear the words you've spoken

Twisted by knaves to make a trap for fools,

Or watch the things you gave your life to, broken,

And stoop and build 'em up with worn-out tools:


If you can make one heap of all your winnings

And risk it on one turn of pitch-and-toss,

And lose, and start again at your beginnings

And never breathe a word about your loss;

If you can force your heart and nerve and sinew

To serve your turn long after they are gone,

And so hold on when there is nothing in you

Except the Will which says to them:"Hold on!"


If you can talk with crowds and keep your virtue,

Or walk with Kings--nor lose the common touch,

If neither foes nor loving friends can hurt you,

If all men count with you, but none too much;

If you can fill the unforgiving minute

With sixty seconds worth of distance run,

Yours is the Earth and everything that's in it,

And--which is more--you'll be a man, my son!




Tradução de António Botto:




Se tu podes impor a calma, quando aqueles

Que estão ao pé de ti a perdem, censurando

A tua teimosia nobre de a manter.

Se sabes guardar sem ruga e sem cansaço.

Privar com Reis continuando simples,

E na calúnia não recorres à infâmia

Para com arma igual e em fúria responder,

- Mas não aparentar bondade em demasia

Nem presumir de sábio ou pretender

Manifestar excesso de ousadia,

Se o sonho não fizer de ti um escravo

E a luz do pensamento não andar

Contigo no domínio do exagerado,

Se encaras o triunfo ou a derrota

Serenamente, firme, e reforçado

Na coragem que é necessário ter

Para ver a verdade atraiçoada,

Caluniada, espezinhada, e ainda

Os nossos ideais por terra. - Mas erguê-los

De novo em mais profundos alicerces

E proclamar com alma essa Verdade!,




Se perdes tudo quanto amealhaste

E voltas ao princípio sem um ai,

Um lamento, uma lágrima, e sorrindo

Te debruças sobre o coração

Unindo outras reservas à Vontade

Que quer continuar, e prosseguindo

Chegar ao infinito da razão,

Se a multidão te ouvir entusiasmada

E a virtude ficar no seu lugar,

Se amigos e inimigos não conseguem

Ofender-te, e se quantos te procuram

Para estar com o teu esforço não contarem

Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,

Se podes preencher esse minuto
Com sessenta segundos de existência

No caminho da vida percorrido

Embora essa existência seja dura

À força das tormentas que a consomem,

Bendita a tua essência, a tua origem
- O Mundo será teu,

E tu serás um Homem!




Tradução de Guilherme de Almeida:




Se és capaz de manter a tua calma quando

Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;

De crer em ti quando estão todos duvidando,

E para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,

Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,

E não parecer bom demais, nem pretensioso;




Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.

Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires

Tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas

Em armadilhas as verdades que disseste,

E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,

E refazê-las com o bem pouco que te reste;





Se és capaz de arriscar numa única parada

Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,

E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,

Resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo

A dar seja o que for que neles ainda existe,

E a persistir assim quando, exaustos, contudo

Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";





Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes

E, entre reis, não perder a naturalidade,

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,

Se a todos podes ser de alguma utilidade,

E se és capaz de dar, segundo por segundo,

Ao minuto fatal todo o valor e brilho,

Tua é a terra com tudo o que existe no mundo

E o que mais - tu serás um homem, ó meu filho!



(Ilustração: Frida Kahlo – tree of hope)


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