sexta-feira, 16 de abril de 2010

THE FALL OF ROME/A QUEDA DE ROMA, de W. H. Auden







for Cyril Connolly


The piers are pummelled by the waves;
In a lonely field the rain
Lashes an abandoned train;
Outlaws fill the mountain caves.

Fantastic grow the evening gowns;
Agents of the Fisc pursue
Absconding tax-defaulters through
The sewers of provincial towns.

Private rites of magic send
The temple prostitutes to sleep;
All the literati keep
An imaginary friend.

Cerebrotonic Cato may
Extol the Ancient Disciplines,
But the muscle-bound Marines
Mutiny for food and pay.

Caesar’s double-bed is warm
As an unimportant clerk
Writes I DO NOT LIKE MY WORK
On a pink official form.

Unendowed with wealth or pity,
Little birds with scarlet legs,
Sitting on their speckled eggs,
Eye each flu-infected city.

Altogether elsewhere, vast
Herds of reindeer move across
Miles and miles of golden moss,
Silently and very fast.




Tradução de Pedro Sette-Câmara:


As ondas batem contra o cais;
a chuva sobre o descampado
açoita um trem abandonado;
nos montes há ladrões demais.

As vestes cada vez mais belas;
o Fisco busca sem pudores
abscônditos sonegadores
nos esgotos das cidadelas.

Faz-se dormir, com ritos mágicos,
no templo as sacras prostitutas;
e os literatos já recrutam
um amiguinho imaginário.

Catão, o cérebro perfeito,
louva os saberes do passado;
fuzileiros amotinados,
porém, exigem seus direitos.

Esfria o leito imperial
enquanto um reles funcionário
em seu rosado formulário
diz: MEU TRABALHO PAGA MAL.

Sem riqueza e sem piedade,
passarinhos de rubras pernas
aquecem seus ovos e observam
a gripe entrando nas cidades.

Num lugar distante, entrementes,
imensos bandos de veados
correm por milhas de dourado
musgo, silenciosamente.


(Ilustração: Caravaggio – Baco)


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