quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
UN ANARQUISTA / UM ANARQUISTA, de William Ospina
Yo no soy el que mata a distancia, escudado en el aire invisible.
Yo no soy el que hace inviolable su crimen bajo el ropaje de uma ley o
una iglesia.
Salgo de en medio de las multitudes, ebrio de indignación y de cólera;
no me importa morir, sé que mi muerte es poco comparada con esta empresa espléndida
de mostrar al tirano que su carne es mortal, que hasta el último esclavo
puede tocar la estrella con la frente, puede tomar el hacha de la justicia;
que no hay nadie tan mísero que no pueda despojar a un Rey de su trono;
que hasta el último hombre puede ser en su hora es estruendo y el rayo de un dios de cólera.
Avanzo hacia el cortejo marcial; quedan atrás la multitud y el pasado.
Tomo las riendas del caballo del príncipe, miro su rostro elegante y perplejo.
Apunto el arma hacia su pecho cargado de medallas y emblemas.
Ya en vano corren hacia mí los sobresaltados esbirros.
El caballo me salpica de espuma. La barbada boca del príncipe intenta una maldición o una orden.
Este seco estampido se está escuchando hasta en los últimos confines del mundo.
Tradução de Antonio Miranda:
Eu não sou o que mata à distância, escudado no ar invisível.
Eu não sou o que torna inviolável seu crime sob a roupagem de uma lei ou
de uma igreja.
Saio do meio da multidão, ébrio de indignação e de cólera;
Não me importa morrer, sei que minha morte é pouco comparada com esta tarefa esplêndida
de mostrar ao tirano que sua carne é mortal, que até o último escravo
pode tocar a última estrela com a testa, pode tomar o machado da justiça;
que não tem ninguém tão mísero que não possa despojar um Rei de seu trono;
que até o último homem pode ser em sua hora o estrondo e o raio
de um deus de cólera.
Avanço até o cortejo marcial; ficam para trás a multidão e o passado.
Tomo as rédeas do cavalo do príncipe, miro seu rosto elegante e perplexo.
Aponto a arma para o seu peito carregado de medalhas e emblemas.
Já em vão corre em minha direção os sobressaltados esbirros.
O cavalo me salpica de espuma. A boca barbada do príncipe tenta uma
maldição ou uma ordem.
Este seco estampido se escuta até nos derradeiros confins do mundo.
(Ilustração: Egon Schiele – Anarchist)
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