quarta-feira, 13 de agosto de 2014

MUITO OBRIGADO, de Francisco Alvim

     






Ao entrar na sala

cumprimentei-o com três palavras

boa tarde senhor

Sentei-me defronte dele

(como me pediu que fizesse)

Bonita vista

pena que nunca a viste

Colhendo meu sangue: a agulha

enfiada na ponta do dedo

vai procurar a veia quase no sovaco

Discutir o assunto

fume do meu cigarro

deixa experimentar o seu

(Quanto ganhará este sujeito)

Blazer, roseta, o país voltando-lhe

no hábito do anel profissional

Afinal, meu velho, são trinta anos

hoje como ontem ao meio-dia

Uma cópia deste documento

que lhe confio em amizade

Sua experiência nos pode ser muito útil

não é incômodo algum

volte quando quiser




(Ilustração: Max Beckemann)




2 comentários:

  1. Queria uma análise dessa obra.

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    1. A Helina que publicou o primeiro comentário. Ela é uma otária, pensa que alguém vai responder ela...

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