sábado, 16 de março de 2013

RECORRENTE, de Erika Cardoso







Luz pontiaguda de um farol distante,
esfacela a lua tornando-a estrelas.
Sobre a areia recolho joias,
falsas como as imagens deste sonho.

Danço sobre conchas gigantes,
casulos de vidas ceifadas
pelas ondas recorrentes, destemidas
Vejo seus olhos na estrela mais opaca.
Onde foi parar o seu brilho?
Desça, e venha bailar comigo.

Espuma densa,
areia grossa, molhada, pisada
pelos meus pés descalços
que teimam em deixar suas pegadas
Em vão.
Riu de mim, pois não sou Estrela...
Não sou Marilyn.



(Ilustração: Eros Kara - danceuse)




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