quinta-feira, 29 de março de 2012

O AMOR AOS SESSENTA, de Alberto da Costa e Silva









Isto que é o amor (como se o amor não fosse

esperar o relâmpago clarear o degredo):

ir-se por tempo abaixo como grama em colina,

preso a cada torrão de minuto e desejo.

Ser contigo, não sendo como as fases da lua,

como os ciclos de chuva ou a alternância dos ventos,

mas como numa rosa as pétalas fechadas,

como os olhos e as pálpebras ou a sombra dos remos

contra o casco do barco que se vai, sem avanço

e sem pressa de ausência, entre o mito e o beijo.

Ser assim quase eterno como o sonho e a roda

que se fecha no espaço deste sol às estrelas

e amar-te, sabendo que a velhice descobre

a mais bela beleza no teu rosto de jovem.




(Poemas dos Sessenta Anos)



(Ilustração: Liu Yuanshou)


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