domingo, 6 de fevereiro de 2011

SONNET XVIII / SONETO XVIII, de William Shakespeare








Shall I compare thee to a summer's day?

Thou art more lovely and more temperate:

Rough winds do shake the darling buds of May,

And summer's lease hath all too short a date:


Sometime too hot the eye of heaven shines,

And often is his gold complexion dimm'd:

And every fair from fair sometime declines,

By chance, or nature's changing course untrimm'd;


But thy ethernal summer shall not fade,

Nor lose possession of that fair thou ow'st,

Nor shall death brag thou wander'st in his shade,


When in ethernal lines to time thou grow'st;

So long as men can breathe, or eyes can see,

So long lives this, and this gives life to thee.




Tradução de Ivo Barroso:



Devo igualar-te a um dia de verão?

Mais afável e belo é o teu semblante:

O vento esfolha Maio inda em botão,

Dura o termo estival um breve instante.


Muitas vezes a luz do céu calcina,

Mas o áureo tom também perde a clareza:

De seu belo a beleza enfim declina,

Ao léu ou pelas leis da Natureza,


Só teu verão eterno não se acaba

Nem a posse de tua formosura;

De impor-te a sombra a Morte não se gaba


Pois que esta estrofe eterna ao Tempo dura.

Enquanto houver viventes nesta lida,

Há-de viver meu verso e te dar vida.






Tradução de Bárbara Heliodora:





Se te comparo a um dia de verão


És por certo mais belo e mais ameno


O vento espalha as folhas pelo chão


E o tempo do verão é bem pequeno.






Às vezes brilha o Sol em demasia


Outras vezes desmaia com frieza;


O que é belo declina num só dia,


Na terna mutação da natureza.






Mas em ti o verão será eterno,


E a beleza que tens não perderás;


Nem chegarás da morte ao triste inverno:






Nestas linhas com o tempo crescerás.


E enquanto nesta terra houver um ser,


Meus versos vivos te farão viver.




(Ilustração: John William Waterhouse – Lady of Shalott)






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