sexta-feira, 16 de setembro de 2016

BECOS, de Dalila Teles Veras








quem tem caminho reto não se mete em vereda, aconselhava-

me a mãe, o medo do sobressalto a escorrer do afeto, sem

saber que as descobertas se revelam apenas no entrecruzar do

caminho e a conquista à saída do labirinto



os becos e seus inocentes nomes de santos não atendem à

demanda de mercado, insignificantes artérias esquecidas,

deixam que a cidade cresça ao seu redor e ficam ali, pulsantes

e vingados, tênues sopros de resistência e muda contestação,

negação ao gigantismo, sedução para o não cumprimento do

conselho



(Retratos Falhados)



(Ilustração: Jacek Yerka)




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