domingo, 16 de outubro de 2016

ESPLANADA, de Manuel António Pina









Naquele tempo falavas muito de perfeição

da prosa dos versos irregulares

onde cantam os sentimentos irregulares.

Envelhecemos todos, tu , eu e a discussão.



agora lês saramagos & coisas assim

e eu já não fico a ouvir-te como antigamente

olhando as tuas pernas que subiam lentamente

até um sítio escuro de mim.



O café agora é um banco, tu professora de liceu;

Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.

Agora as tuas pernas são coisas inúteis, andantes,

e não caminhos por andar como dantes.





(Ilustração: Gabriel Mark Lipper)

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