sábado, 22 de outubro de 2016

AS BRUXAS E SEU MUNDO, de Lucila Nogueira







O Graal se encontra

mas não se procura.



Cada um deve morrer três vezes

antes de descansar.



O corpo escreveu a palavra antes

a atravessou o dito e o interdito

como o silêncio dócil de Essomeriq em Honfleur

ou o sorriso ambíguo da Monalisa

pintado no rosto azul de Paraguaçu.



Moro no mar cinzento

do penhasco escuro

poções de esquecimento sobre o vidro

te esperam na almofada de cetim.



Entre brumas se escreve o vaticínio

que há de fazer-te escravo aos meus desígnios

enquanto satisfaço os teus caprichos

entre brumas o monte e o precipício



as bruxas e seu mundo

desde o início.





(Ilustração: Canato; Eva)

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