quarta-feira, 28 de setembro de 2016

REQUIEM / POEMA PARA CISSY, de Raymond Chandler











There is a moment after death when the face is beautiful

When the soft tired eyes are closed and the pain is over,

And the long, long innocence of love comes gently in

For a moment more in quiet to hover.



There is a moment after death, yet hardly a moment

When the bright clothes hang in the scented closet

And the lost dream fades and slowly fades,

When the silver bottles and the glass, and the empty mirror,

And the three long hairs in a brush and a folded kerchief,

And the fresh made bed and the fresh, pump pillows

On wich no head will lay

Are all that is left of the long wild dream



But there are always the letters.



I hold them in my hand, tied with green ribbon

Neatly and firmly by the soft, strong fingers of love.

The letters will not die.

They will wait and wait for the stranger to come and read them.

he will come slowly out of the mists of time and change,

he will come slowly, differently, down the years,

he will cut the ribbon and spread the letters apart,

And carefully, carefully read them page by page.



And the long, long innocence of love will come softly in

like a butterfly through an open window in the summer,

For a moment in quiet to hover.

But the stranger will never now - The dream will be over.

The stranger will be I.





Tradução de Newton Goldman:





Há um momento após a morte

em que o rosto se torna belo

e os suaves olhos fatigados se fecham;

em que a dor acabou

e a antiga, antiga inocência do amor

gentilmente retorna e fica por perto

apenas por mais um instante.



Há um momento após a morte (que sequer é um momento)

em que as coloridas roupas penduradas no armário perfumado

e o sonho perdido fenecem lentamente;

em que os vidros e o copo de prata e o espelho vazio

e os três compridos fios de cabelo na escova

e o lenço dobrado e a cama refeita

com seus gordos travesseiros (onde nenhuma cabeça

se pousará) é tudo que restou de um grande sonho selvagem.



Mas existem sempre as cartas. 




Eu as seguro nas mãos, amarradas numa fita verde,

com firme pureza entre os suaves e fortes dedos do amor.

As cartas não morrerão, esperando pelo estranho que virá lê-las.

Virá lentamente, emergindo da névoa do tempo e da mudança.

Virá lentamente, desafiador, pelo correr dos anos

cortará a fita e as espalhará a sua volta

e cuidadosamente as lerá página por página.



E a antiga inocência do amor voltará

Virá lentamente, emergindo da névoa do tempo e da mudança,

suave como uma borboleta por uma janela aberta no verão

só por mais um momento, em silêncio, para estar perto,

mas o estranho nunca saberá. O sonho acabou.

O estranho sou eu.



(Ilustração: Pietro Saja - vestal virgin condemned to death - c.1800)




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