quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A CACIMBA, de Zé da Luz (Severino de Andrade Silva)








Tá vendo aquela cacimba

lá na bêra do riacho,

im riba da ribanceira,

qui fica, assim, pru dibáxo

de um pé de tamarinêra.





Pois, um magóte de môça

quage toda manhanzinha,

foima, assim, aquela tuia,

na bêra da cacimbinha

prá tumar banho de cuia.





Eu não sei pru quê razão,

as águas dessa nacente,

as águas que ali se vê,

tem um gosto diferente

das cacimbas de bêbê...





As águas da cacimbinha

tem um gôsto mais mió.

Nem sargada, nem insôça...

Tem um gostim do suó

do suvaco déssas môça...





Quando eu vejo essa cacimba,

qui inspio a minha cara

e a cara torno a inspiá,

naquelas águas quiláras,

Pego logo a desejá...





... Desejo, prá quê negá?

Desejo ser um caçote,

cum dois óio dêsse tamanho

Prá ver aquele magóte

de môça tumando banho!





(Ilustração: Gianni Strino)



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